Redação Planeta Amazônia
Em tempos de crises globais, não há como pensar em um desenvolvimento econômico que não seja sustentável, o que implica responsabilidade social e ambiental. Para a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), o mercado internacional e a atração de investimentos estrangeiros devem ser motores para o desenvolvimento sustentável do país e, principalmente, da região amazônica.
Por isso, desde 2023 – início do governo Lula e da gestão do presidente Jorge Viana na Agência -, a ApexBrasil vem realizando uma série de iniciativas com esse foco. Neste mês, em Belém (PA), uma nova etapa do programa Exporta Mais Amazônia vai promover rodadas de negócios entre compradores internacionais de diferentes países e produtores locais que, além de oferecerem produtos regionais, atuam em prol da comunidade que mantém a floresta em pé. Também neste mês, em Manaus (AM), uma nova rodada do programa Exporta Mais Brasil vai promover o setor de cosméticos e ingredientes da Amazônia.
“Temos que trabalhar fortemente com produtos compatíveis com a floresta”, disse Jorge Viana, na ocasião do encontro Diálogos Amazônicos, em agosto do ano passado, durante prévia da Cúpula da Amazônia, em Belém. “Vivemos numa faixa verde do planeta, rica e cheia de produtos extraordinários. Temos muito potencial e precisamos usar a região amazônica como um ativo para recolocar o país em outro patamar”, reforçou.

Os produtos compatíveis com a floresta Amazônica, como cacau, pimenta-do-reino, açaí e castanha-do-brasil, representam um mercado de cerca de US$ 200 bilhões no mundo, segundo estudo publicado pelo projeto Amazônia 2030. No entanto, apesar de abrigar 30% das florestas tropicais do planeta, a região Norte contribui com menos de 0,2% das exportações globais desses bens. No ano passado, o Brasil exportou cerca de US$ 340 bilhões em produtos nacionais. Desse total, o Norte foi responsável por apenas US$ 31,5 bilhões, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviço (MDIC).
Para mudar esse cenário, a Agência vem desenvolvendo programas como o Exporta Mais Brasil e Exporta Mais Amazônia, além de aplicar, no processo seletivo de diversas iniciativas, pontuações extras para empresas que desenvolvem ações sociais e ambientais, principalmente nas regiões Norte e Nordeste, e ainda uma lente de gênero, ampliando oportunidades para empresas que são lideradas por mulheres por meio do programa Mulheres e Negócios Internacionais (MNI).
“É crucial que o Brasil expanda suas exportações na Amazônia, criando espaço para produtos em harmonia com a floresta, condição essencial para um desenvolvimento sustentável”, reforça Jorge Viana. “Precisamos mostrar ao mundo o potencial tanto da floresta quanto dos empresários do Norte para uma economia global sustentável. Afinal, a Amazônia não é importante só para o Brasil, mas para o mundo inteiro”, conclui Viana.
Exporta Mais Amazônia
A primeira rodada do Exporta Mais Amazônia foi em novembro de 2023, no Acre. Na ocasião, 33 empresas dos setores de açaí, cacau & chocolate, castanha-do-brasil, peixes amazônicos, carnes bovinas, suínas e de frango tiveram a oportunidade de apresentar sua oferta exportadora a 20 compradores internacionais de 16 nacionalidades diferentes. Ao longo de mais de 260 reuniões e uma intensa agenda de visitas técnicas, mais de R$ 50 milhões em negócios foram gerados.
A próxima acontece de 19 a 22 de novembro, em Belém, no Pará. Para participar, foram selecionadas 36 empresas dos segmentos de castanhas, temperos e açaí da região que vão expor seus produtos para 15 compradores internacionais de 12 países. Além disso, o programa vai levar os estrangeiros para verem de perto a produção local de cada cultura. “Ao visitar a produção, o comprador tem a referência da qualidade do produto na origem”, reforça o gerente de Agronegócio da ApexBrasil, Laudemir Muller.
As visitas serão divididas em grupos. Um grupo visitará a fábrica de açaí da empresa 100% Amazônia; outro grupo irá ao polo agrícola da Horta da Terra, especializada em temperos; e o terceiro visitará a Mutran Exportadora, que trabalha com o beneficiamento e comercialização de castanha-do-Brasil. A divisão será conforme os interesses dos importadores, que também serão recebidos pela Manioca, empresa de alimentos que utiliza ingredientes e sabores da biodiversidade amazônica. No dia seguinte (20), os compradores visitarão a Ilha do Combu. “Será uma imersão no setor produtivo da região, com a oportunidade de experimentar sabores, navegar pelo rio, ver de perto a floresta e expandir as possibilidades de negócios”, explica Essio Lanfredi, responsável pelo EA Norte da ApexBrasil.
Empresas que crescem com a sustentabilidade
A Gaudens, empresa paraense que desenvolve diferentes produtos com matérias-primas regionais, como cacau, cupuaçu e bacuri, será uma das participantes da segunda edição do Exporta Mais Amazônia. O fundador da empresa, Fabio Sicilia, explica que vai oferecer aos vendedores a geleia de cupuaçu, também usada como tempero. “A gente promove a biodiversidade e sustentabilidade, unindo tradição e inovação”, explica Fabio, que é Chef Master formado no Italian Culinary Institute for Foreigners (ICIF) e especializado em chocolateria pela Lênotre de Paris. A Gaudens também se destaca pela produção de chocolates finos com ingredientes locais e já recebeu três prêmios daAcademy of Chocolate de Londres, em 2022 e 2023.
“Com um único produto vendido eu consigo movimentar várias cadeias produtivas da região, pois uso matérias-primas provenientes de diferentes produtores locais. Todos os produtos da Gaudens têm o selo da Agricultura Familiar”, afirma Fabio, que atua também com diversos projetos sociais da região, entre eles o “Amazon Candy”, que promove mudanças sociais através do empoderamento de mulheres em situação de vulnerabilidade no Pará, capacitando-as na produção de bombons artesanais.
Fábio lembra que, no ano que vem, a Conferência das Partes das Nações Unidas sobre o Clima, a COP30, será sediada no Brasil, justamente em Belém. “Sem dúvida a realização da COP aqui no Pará vai movimentar bastante a economia local. Estamos animados com isso”, afirma.
A empresa paraense Petruz, que produz açaí, participou da primeira edição do Exporta Mais Amazônia, no Acre, e participará novamente, desta vez em casa. “A nossa participação ano passado foi uma oportunidade única de explicar para clientes e potenciais clientes toda a diversidade e potencial da nossa empresa e produtos. Foi uma experiência incrível que esperamos repetir na edição de 2024, agora na nossa casa, no estado no qual está sediada as primeiras empresas do grupo”, afirma o diretor mercadológico da empresa, Rafael Ferreira. Localizada no coração da Amazonia, a Petruz tem unidades no Pará, Amazonas e Amapá, escritórios comerciais nos EUA e Europa. “Ter o papel de promover a biodiversidade da Amazônia por meio dos nossos produtos para o mundo gera em nosso coração um imenso orgulho e satisfação. Este ano reforçamos nosso compromisso com a floresta e a sustentabilidade e assim aderimos ao Pacto Global da ONU”, reforça Rafael.
A Petruz oferece açaí e todas as outras frutas tropicais nas versões purê congelado, em cubos tipo Individually Quick Frozen (IQF), em pó liofilizado e nas versões de sorbet. As linhas possuem certificações de qualidade orgânica, fair trade, Kosher, Halal e atualmente mudaram as embalagens para biodegradáveis.
Exporta Mais Brasil – promovendo a produção amazônica
Em 28 edições, realizadas entre agosto de 2023 e setembro de 2024, o programa Exporta Mais Brasil realizou mais de seis mil reuniões de negócios com compradores internacionais de 65 países, com uma expectativa de negócios de mais de R$ 500 milhões. Ao todo, 847 empresas já foram beneficiadas pelo programa. Destas, 159 são da região Norte.
Em Rondônia, na cidade de Cacoal, por exemplo, a rodada do programa em agosto do ano passado foi dedicada à promoção dos cafés robustas amazônicos. Na ocasião, 23 produtores do Acre e de Rondônia, sendo dois indígenas e 12 mulheres, arregimentados pelos Cafeicultores Associados da Região Matas de Rondônia (Caferon), apresentaram seus produtos para 20 compradores de 11 países. Além dos R$ 4 milhões em negócios gerados durante a rodada, a iniciativa abriu espaço para uma negociação de US$ 500 milhões para a compra de 120 mil toneladas de café “robusta amazônico” pela empresa chinesa Luckin Coffee, sete meses depois. A empresa controla 20 mil cafeterias na China. Um grande negócio que foi assinado por Alckmin e Jorge Viana em Pequim.
“Além da qualidade, o café Robusta Amazônico é um café com história, um café que tem Amazônia e que tem a preservação”, afirma Viana, que também participou presencialmente nas rodadas de negócio em Rondônia.
Segundo Laudemir Müller, a maior parte das áreas utilizadas para produção dos cafés Robustas que estão surgindo são em cima de áreas degradadas. “O café da Amazônia é um produto compatível com a floresta; um produto que traz de volta, em áreas degradadas, uma produção com rastreabilidade, com sustentabilidade, e que traz renda e satisfação para todos os produtores locais. É uma realidade sustentável para a Amazônia”, reforça Müller.
A próxima rodada do Exporta Mais Brasil – e última do ano – será em Manaus, entre os dias 25 e 28 de novembro, com foco no setor de cosméticos e ingredientes da região amazônica. Na ocasião, serão realizadas rodadas de negócios entre 30 empresas brasileiras do setor e 13 compradores estrangeiros.