Estudo indica que aquecimento global pode dobrar população exposta a calor extremo até 2050

O aquecimento global pode mais do que dobrar o número de pessoas expostas a condições extremas de calor até 2050, caso a temperatura média do planeta aumente 2 °C em relação aos níveis pré-industriais. A projeção consta em estudo publicado nesta segunda-feira (26) na revista científica Nature Sustainability.

Segundo a pesquisa, a população mundial submetida a calor extremo deve passar de 1,54 bilhão de pessoas, em 2010, para 3,79 bilhões até 2050. Os pesquisadores analisaram diferentes cenários de aquecimento — 1 °C, 1,5 °C e 2 °C — independentemente das trajetórias de emissão que levem a esses patamares.

O estudo utilizou dados globais de graus-dia de aquecimento (HDDs) e graus-dia de resfriamento (CDDs), indicadores que medem a necessidade de aquecimento ou refrigeração em função da temperatura. Os resultados apontam uma redução generalizada da demanda por aquecimento e um aumento expressivo e não linear da necessidade de resfriamento, sobretudo nos primeiros estágios do aquecimento global.

De acordo com os autores, as mudanças mais significativas ocorrem já nos níveis iniciais de aumento da temperatura média, indicando que ações de adaptação climática precisam ser antecipadas para reduzir impactos sobre a saúde pública, a infraestrutura urbana e os sistemas energéticos.

Contexto climático recente

O levantamento dialoga com dados recentes do Copernicus Climate Change Service, que apontam 2025 como o terceiro ano mais quente já registrado, com temperatura média global de 14,97 °C, o que representa 1,47 °C acima do nível pré-industrial (1850–1900).

A média dos últimos três anos já ultrapassou o limite de 1,5 °C estabelecido pelo Acordo de Paris, reforçando os alertas sobre o avanço das mudanças climáticas e seus efeitos sobre populações vulneráveis, especialmente em regiões tropicais e países em desenvolvimento.

Os pesquisadores destacam que o aumento da exposição ao calor extremo pode intensificar riscos de mortalidade, perda de produtividade, pressão sobre sistemas de saúde e desigualdades socioeconômicas, tornando urgente a combinação de políticas de mitigação e adaptação climática.

By emprezaz

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