Mata Atlântica avança como referência global em restauração florestal

Por Redação Planeta Amazônia

Projetos de restauração florestal na Mata Atlântica têm demonstrado avanços significativos ao reduzir em até 50% o tempo de crescimento das espécies nativas e estruturar florestas mais resilientes às mudanças climáticas. A iniciativa desenvolvida na Bahia integra estratégias de recuperação ambiental baseadas em seleção genética e planejamento ecológico de longo prazo.

O trabalho teve início em 2014, com a coleta e o mapeamento de indivíduos com maior potencial de conservação dentro de diferentes espécies. A partir dessa abordagem, a Empresa Brasileira de Reflorestamento recuperou cerca de 1 mil hectares do bioma com base na seleção genética de 45 espécies nativas, incluindo jacarandá, jequitibá, ipês e angicos.

Segundo especialistas envolvidos no projeto, muitas das matrizes utilizadas são árvores centenárias que sobreviveram ao histórico processo de exploração da Mata Atlântica, apresentando elevada adaptação genética às condições ambientais.

A estratégia também prioriza a variabilidade genética para evitar homogeneização das florestas restauradas, fator considerado essencial para aumentar a estabilidade ecológica e a capacidade de adaptação às mudanças climáticas.

Fragmentação e impactos ambientais

A Mata Atlântica já ocupou aproximadamente 130 milhões de hectares do território brasileiro. Atualmente, restam cerca de 24% da cobertura original, sendo apenas 12,4% constituídos por florestas maduras e bem preservadas, distribuídas em fragmentos ao longo de 17 estados.

A fragmentação reduz a variabilidade genética, enfraquece a capacidade adaptativa das espécies e aumenta a vulnerabilidade a eventos climáticos extremos, como secas prolongadas e alterações no regime hídrico.

Especialistas destacam que a perda de diversidade afeta diretamente os serviços ecossistêmicos, incluindo disponibilidade de água, regulação climática, qualidade do ar, controle de doenças e produtividade agrícola.

Restauração como estratégia econômica

O avanço da restauração florestal tem impulsionado mudanças na atuação do setor privado, que passa a enxergar a recomposição ambiental como investimento e oportunidade de negócio.

Modelos atuais combinam conservação com manejo sustentável, permitindo a exploração contínua de produtos madeireiros e não madeireiros, como óleos e essências, sem comprometer a estrutura da floresta e mantendo sua capacidade de sequestro de carbono.

Projetos também têm sido adotados por empresas que dependem diretamente de serviços ecossistêmicos, como geradoras de energia hidrelétrica, que investem na proteção de mananciais para reduzir riscos operacionais associados a eventos climáticos extremos.

Escala e políticas públicas

A consolidação da agenda de restauração levou à criação do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, estabelecido em 2009, com a meta de recuperar 15 milhões de hectares do bioma até 2050.

Estudos indicam que entre 1993 e 2022 cerca de 4,9 milhões de hectares entraram em processo de regeneração natural. No mesmo período, 1,1 milhão de hectares voltou a ser desmatado, enquanto 3,8 milhões permaneceram regenerando.

Pesquisadores avaliam que a Mata Atlântica se tornou um dos principais modelos globais de restauração florestal, sendo considerada referência em iniciativas de recomposição ecológica.

Desafios

Apesar dos avanços metodológicos e da expansão das iniciativas, especialistas apontam que a restauração em larga escala ainda depende de políticas públicas mais robustas. Entre as medidas consideradas necessárias estão pagamentos por serviços ambientais, incentivos econômicos, mecanismos regulatórios e programas de manutenção de áreas restauradas.

O desafio é ampliado pelo fato de aproximadamente 90% do território da Mata Atlântica estar em áreas privadas, o que exige articulação entre governos, empresas e proprietários rurais.

Ao mesmo tempo, a restauração apresenta potencial relevante de geração de empregos e desenvolvimento sustentável. Estimativas indicam que a recomposição florestal pode criar postos de trabalho significativos, além de fortalecer cadeias produtivas associadas à bioeconomia e aos serviços ambientais.

By emprezaz

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