Por Redação Planeta Amazônia
O Acre intensificou as ações de vigilância fitossanitária para conter o avanço da monilíase, doença que atinge lavouras de cacau e cupuaçu e representa ameaça direta à agricultura familiar no estado.
A atuação é coordenada pelo Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf), em parceria com a Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O objetivo é preservar a produção rural, considerada estratégica para geração de renda e sustentabilidade na região.
A monilíase é uma praga quarentenária de alto potencial destrutivo. O Acre foi o primeiro estado brasileiro a registrar oficialmente a ocorrência da doença, o que levou à adoção de medidas emergenciais e ao fortalecimento da vigilância vegetal.
Inspeções, podas e descarte controlado
Entre as principais ações estão inspeções em propriedades rurais, áreas periurbanas e quintais produtivos. Técnicos realizam podas sanitárias para remover frutos e galhos contaminados, reduzindo a fonte de disseminação do fungo.

Segundo dados do Idaf, somente em 2025 foram registrados 148 novos casos da doença. No mesmo período, equipes realizaram 4.639 podas sanitárias e promoveram o descarte adequado de 29.834 frutos contaminados em aterros sanitários.
Especialistas explicam que a poda sanitária reduz a carga de inóculo do fungo na área e retarda temporariamente a frutificação das plantas, diminuindo a propagação da doença.
Barreiras e fiscalização
Outra frente importante é a barreira fitossanitária instalada na BR-364, no Posto de Fiscalização Agropecuária do Rio Liberdade. O local permanece ativo diariamente, fiscalizando o trânsito de veículos e impedindo o transporte de material vegetal potencialmente contaminado para áreas ainda livres da praga.
De acordo com o órgão, os esporos do fungo são leves e podem ser dispersos pelo vento ou pelo transporte inadequado de frutos doentes, o que torna o controle logístico essencial.

Trabalho coletivo e educação sanitária
Além da fiscalização, o estado aposta na educação sanitária e na orientação técnica aos produtores. A estratégia envolve comunicação de suspeitas, manejo adequado das lavouras e ações de conscientização junto à comunidade.
O governo estadual defende que o enfrentamento da monilíase depende da atuação integrada entre produtores, técnicos e poder público.
A cultura do cacau e do cupuaçu tem papel relevante na economia rural acreana e está associada a modelos produtivos compatíveis com a conservação ambiental.

