No coração da Reserva Extrativista Chico Mendes, no Acre, a produção de café tem se consolidado como alternativa sustentável de geração de renda para famílias que vivem na floresta. A iniciativa da família de Jorge e Keyti Souza começou durante a pandemia da covid-19, quando decidiram retornar às origens e investir no cultivo dentro da reserva.

O que inicialmente parecia uma aposta incerta se transformou em um negócio estruturado. A produção segue práticas sustentáveis, com utilização de áreas já desmatadas, sem a necessidade de derrubada de novas árvores, mantendo o equilíbrio com o meio ambiente e respeitando as regras de conservação da unidade.
A marca criada pela família, “Raízes da Floresta”, carrega a proposta de valorizar a cultura extrativista e a relação com a terra. Atualmente, o café produzido já é comercializado em Rio Branco e também possui ponto de venda em São Paulo, além de ter alcançado o mercado internacional, com exportações para países como Estados Unidos e China.

O crescimento da atividade contou com apoio do governo do Estado, por meio da Secretaria de Agricultura (Seagri), que ofereceu assistência técnica, capacitações e insumos. Entre os investimentos estão sistemas de irrigação, estrutura para armazenamento de água e equipamentos que aceleram o processo de secagem dos grãos, aumentando a produtividade.
A cafeicultura tem se fortalecido como uma das principais atividades econômicas do Acre, contribuindo para a geração de renda e o desenvolvimento rural. Segundo o governo estadual, a cadeia produtiva do café tem transformado a realidade de centenas de famílias, consolidando-se como uma alternativa sustentável para o campo.
O reconhecimento do trabalho também veio por meio de premiações. A produção da família se destacou no Concurso Florada Premiada, considerado um dos maiores do setor, alcançando posições de destaque entre os melhores cafés do país.
Além da comercialização no mercado, o café produzido na reserva passou a integrar o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), ampliando o impacto social da iniciativa. A inclusão no programa fortalece a economia local ao garantir a compra da produção e inserir o produto no consumo de escolas públicas.
A experiência demonstra que é possível conciliar produção agrícola, conservação ambiental e desenvolvimento econômico na Amazônia, com geração de renda e valorização das comunidades tradicionais.

