Redação Planeta Amazônia
O nível do Rio Acre pode alcançar até 15 metros nos próximos dias e afetar diretamente até 600 famílias em Rio Branco, segundo avaliação da Defesa Civil Municipal. O alerta foi feito pelo coordenador do órgão, tenente-coronel Cláudio Falcão, diante do avanço rápido das águas e do volume de chuvas registrado em toda a bacia hidrográfica do estado.
De acordo com Falcão, o cenário atual é de forte preocupação e indica risco iminente de transbordamento. “Nós estamos numa situação de muita chuva. Ainda no final de março, nós já temos inclusive a previsão de agora no início de abril. Mas por enquanto, o que nós temos ainda é muita chuva, inclusive essa chuva que aconteceu no sábado, que atingiu toda a bacia do Rio Acre e que está trazendo um grande transtorno”, afirmou.
O coordenador destacou que o rio se aproxima rapidamente da cota crítica e pode registrar mais um episódio de cheia em curto intervalo de tempo. “Nós estamos aqui à véspera, bem próximo de um transbordamento do Rio Acre, que já seria o quarto em menos de três meses”, disse.
A situação, segundo ele, não se limita à capital. As quatro principais bacias hidrográficas do Acre — Rio Acre, Purus, Tarauacá-Envira e Juruá — apresentam elevação simultânea, pressionadas pelas chuvas intensas do fim de março. “Todas essas bacias estão sendo fortemente afetadas agora com essas chuvas”, explicou, citando ainda impactos em municípios como Cruzeiro do Sul, Tarauacá e Feijó.
O ritmo de subida do Rio Acre também preocupa. Conforme detalhado durante a entrevista, a elevação chegou a cerca de 5 centímetros por hora nas últimas medições. “Nós estamos numa velocidade de subida aqui no Rio Acre, agora nas últimas horas, de 5 centímetros a cada hora. Nós estamos a 25 centímetros da cota de transbordamento”, afirmou Falcão.
A previsão é de que o nível crítico seja atingido em poucas horas. “Durante a tarde ou no máximo até o final da tarde, nós vamos alcançar a cota de transbordamento. Até a cota de 14,20 a gente ainda consegue manter essas famílias em casa”, disse o coordenador, indicando que a situação pode evoluir rapidamente para um cenário de retirada emergencial.
Diante do risco, as equipes já foram mobilizadas para atuação preventiva. “Nós já estamos mobilizando o Corpo de Bombeiros, a prefeitura de Rio Branco e também mapeando locais de abrigo. Então tudo isso pode acontecer”, afirmou.
A Defesa Civil não descarta um agravamento ainda maior nos próximos dias. “A gente não descarta que a gente chegue numa cota de 15 metros, onde com essa cota nós temos 600 famílias suscetíveis à remoção das suas casas”, alertou Falcão.
O cenário reforça a vulnerabilidade histórica de áreas urbanas e ribeirinhas de Rio Branco frente às cheias do Rio Acre, fenômeno que tem se intensificado nos últimos anos, associado tanto ao regime de chuvas quanto a fatores estruturais, como ocupação irregular e limitações na drenagem urbana.
A evolução do nível do rio nas próximas horas será determinante para definir a necessidade de ações emergenciais, incluindo retirada de famílias, abertura de abrigos e ampliação das operações de resposta.

