Redaçao Planeta Amazônia
A política indígena no Acre tem avançado a partir de uma estratégia centrada na presença institucional nos territórios e na escuta ativa das comunidades. Desde 2023, a Secretaria Extraordinária de Povos Indígenas (Sepi) vem consolidando um modelo de construção participativa, com diálogo direto com lideranças e povos originários.
Segundo a secretária Francisca Arara, a escuta foi o eixo central das ações. “A principal ação foi a escuta participativa. Realizamos mais de 20 visitas aos territórios […] fizemos consultas para que os povos indígenas pudessem falar sobre educação, produção, segurança alimentar e participação”, afirmou.

Esse modelo resultou em avanços concretos. As ações da Sepi já alcançaram 29 terras indígenas, com iniciativas voltadas à gestão territorial, segurança alimentar, cultura e infraestrutura. Foram executados 31 termos de fomento e desenvolvidos 43 projetos, ampliando o acesso a recursos e fortalecendo organizações indígenas.
Outro destaque é a atuação de 148 Agentes Agroflorestais Indígenas, que trabalham diretamente na proteção ambiental e no manejo sustentável dos territórios, consolidando o Acre como referência em políticas climáticas e indígenas.
No campo social e econômico, os resultados incluem a retirada de 31 associações da inadimplência, permitindo acesso a financiamentos, além do apoio a festivais culturais incorporados ao calendário estadual, gerando renda e valorizando identidades tradicionais.
A atuação também alcançou territórios em situação de maior vulnerabilidade, incluindo áreas com presença de povos isolados, com investimentos específicos superiores a R$ 1,1 milhão.
No enfrentamento às mudanças climáticas, o governo investiu cerca de R$ 2 milhões em ações emergenciais e implantou sistemas de abastecimento de água, como poços e cacimbas, ampliando o acesso a serviços básicos em comunidades indígenas.

Ações executadas pela Sepi alcançaram 29 terras indígenas no Acre. Foto: Marcos Vicentti/Secom
Além disso, mecanismos como o SISA/REDD+ e outros programas de financiamento climático já movimentaram milhões em investimentos, reforçando a integração entre políticas ambientais e desenvolvimento sustentável nos territórios.
Para 2026, estão previstas medidas estruturantes, como a criação do Conselho Estadual dos Povos Indígenas, concursos públicos voltados à educação intercultural e ampliação de políticas de dados territoriais e apoio às associações indígenas.
Apesar dos avanços, o governo aponta desafios, como a necessidade de ampliar recursos, superar dificuldades logísticas em áreas remotas e enfrentar os impactos crescentes das mudanças climáticas sobre os territórios indígenas.
O cenário evidencia uma mudança na formulação de políticas públicas na Amazônia, com maior protagonismo indígena e integração entre desenvolvimento, cultura e conservação ambiental — elementos centrais para a sustentabilidade de longo prazo na região.

