O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) firmou um acordo que consolida a gestão integrada dos recursos hídricos na Amazônia Legal, ampliando a cooperação entre estados e o governo federal na administração da água — um dos recursos mais estratégicos da região.
O protocolo de intenções foi assinado durante o 3º Fórum Brasil das Águas, realizado em São Luís (MA), com participação da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e representantes dos estados amazônicos.
A iniciativa está inserida na Agenda Azul da Amazônia Legal e estabelece diretrizes para padronizar procedimentos, integrar sistemas e aprimorar a regulação do uso da água em toda a região.
Integração como estratégia de governança
O acordo prevê o compartilhamento de informações entre estados, integração de bases de dados e uso de sistemas digitais para monitoramento contínuo das bacias hidrográficas.
Entre as medidas está a articulação com o Cadastro Nacional de Usuários de Recursos Hídricos (CNARH), o que deve ampliar a capacidade de controle sobre o uso da água, tanto para consumo quanto para atividades econômicas.
O diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço, destacou o caráter estratégico da iniciativa:
“A participação do Amazonas nesse acordo reforça o compromisso do Estado com uma gestão ambiental cada vez mais integrada e eficiente. A água é um recurso essencial”, afirmou.
Amazônia no centro da segurança hídrica
A gestão integrada da água ganha relevância especial na Amazônia, onde se concentra uma das maiores reservas de água doce do planeta, mas também crescem pressões associadas ao desmatamento, expansão econômica e mudanças climáticas.
O modelo adotado segue princípios da Política Nacional de Recursos Hídricos, que estabelece a gestão descentralizada, participativa e baseada em bacias hidrográficas como unidade territorial.
Nesse contexto, a articulação entre estados se torna essencial para lidar com rios que atravessam diferentes territórios e exigem coordenação conjunta.
Água, desenvolvimento e clima
O acordo também está alinhado a políticas ambientais mais amplas do Amazonas, que integram gestão de recursos naturais, mudanças climáticas e desenvolvimento sustentável.
Além do uso humano, a água na região é fundamental para atividades como agricultura, geração de energia, transporte fluvial e manutenção dos ecossistemas.
Ao fortalecer a governança hídrica, o Estado busca garantir segurança no abastecimento, evitar conflitos pelo uso da água e ampliar a capacidade de resposta a eventos extremos, como secas e cheias.
Cooperação regional como desafio estrutural
A iniciativa evidencia um desafio recorrente na Amazônia: a necessidade de integração entre diferentes níveis de governo e estados para gerir recursos naturais compartilhados.
Embora a região tenha grande disponibilidade hídrica, a ausência de coordenação pode gerar problemas de gestão, especialmente diante do aumento da demanda e das pressões ambientais.
Um passo para a governança da Amazônia
A assinatura do acordo reforça uma tendência crescente de regionalização da gestão ambiental, em que a cooperação entre estados passa a ser vista como elemento central para enfrentar desafios complexos.
No caso da água, esse movimento ganha ainda mais relevância, ao posicionar o recurso não apenas como insumo natural, mas como ativo estratégico para o desenvolvimento e para o equilíbrio climático da Amazônia.

