O inverno começa oficialmente no Hemisfério Sul neste sábado (20), mas a estação deverá apresentar características diferentes das observadas nos últimos anos. Meteorologistas apontam que o avanço do fenômeno El Niño deverá reduzir a intensidade das massas de ar frio e provocar mudanças importantes no padrão de chuvas em diversas regiões brasileiras ao longo dos próximos meses.
Segundo a consultoria meteorológica Nottus, o inverno começará com episódios de frio mais intenso, especialmente no Sul e em parte do Sudeste. No entanto, a influência crescente do El Niño tende a limitar a frequência e a duração dessas incursões de ar polar, principalmente a partir de agosto. De acordo com o meteorologista Alexandre Nascimento, sócio-diretor da empresa, os efeitos do fenômeno devem impedir que o país registre períodos prolongados de temperaturas extremamente baixas.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. O fenômeno altera a circulação atmosférica global e influencia diretamente os regimes de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta. Em abril, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) já havia alertado para o aumento da probabilidade de formação do fenômeno ao longo de 2026, com chances superiores a 80% durante o segundo semestre do ano.
Mais chuva no Sul e menos precipitações no Norte
As projeções indicam que a Região Sul deverá concentrar volumes de chuva acima da média histórica durante o inverno. O aumento das precipitações pode beneficiar reservatórios e atividades agrícolas, mas também eleva o risco de temporais, alagamentos e transtornos em áreas urbanas.
Já nas regiões Norte e Nordeste, a tendência é oposta. Meteorologistas preveem chuvas mais curtas e menos frequentes, cenário que favorece períodos de estiagem e pode aumentar a preocupação com secas em algumas áreas da Amazônia e do semiárido nordestino.
A redução das precipitações também pode influenciar rios, reservatórios e atividades econômicas que dependem diretamente do regime hídrico, como agricultura, pesca e geração de energia. Especialistas ressaltam, porém, que os impactos variam conforme a intensidade do fenômeno e a interação com outros sistemas climáticos.
Amazônia pode enfrentar período mais seco
Na Amazônia, os efeitos do El Niño costumam estar associados à diminuição das chuvas e ao aumento das temperaturas. Esse cenário favorece o prolongamento da estação seca e amplia os riscos de queimadas e incêndios florestais, especialmente em áreas já pressionadas pelo desmatamento.
Pesquisadores alertam que a combinação entre estiagem prolongada, altas temperaturas e degradação ambiental pode intensificar impactos sobre comunidades tradicionais, atividades produtivas e ecossistemas da região. Nos últimos anos, eventos climáticos extremos associados ao aquecimento global têm ampliado a vulnerabilidade de diferentes áreas da Amazônia.
Frio continua, mas com menor intensidade
Apesar da previsão de um inverno mais ameno, especialistas destacam que episódios de frio continuarão ocorrendo. A diferença é que as massas de ar polar tendem a atuar por períodos mais curtos e com menor abrangência territorial em comparação a anos influenciados por condições neutras ou por La Niña.
Para meteorologistas, a tendência reforça a necessidade de acompanhamento constante das previsões climáticas, uma vez que a intensidade do El Niño e sua interação com outros fatores atmosféricos podem provocar mudanças ao longo da estação.
Embora o inverno de 2026 não deva ser marcado por longas ondas de frio, os especialistas ressaltam que o fenômeno continuará exercendo forte influência sobre o clima brasileiro, especialmente na distribuição das chuvas e no comportamento das temperaturas nos próximos meses.

