Rio Branco iniciou nesta sexta-feira (26) a programação em comemoração ao Dia dos Geoglifos, data dedicada à valorização de um dos mais importantes patrimônios arqueológicos da Amazônia. Promovido pela Prefeitura de Rio Branco, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Turismo, Tecnologia e Inovação (SDTI), em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o evento reúne atividades voltadas à educação patrimonial, ao turismo, à ciência e à preservação da história dos povos originários que ocuparam a região há milhares de anos.
Representando o prefeito Alysson Bestene, a primeira-dama Roberta Lins participou da abertura oficial da programação, realizada no Horto Florestal. O evento reúne pesquisadores, estudantes, representantes de instituições públicas, arqueólogos e visitantes interessados em conhecer mais sobre os geoglifos acreanos, considerados um dos maiores conjuntos arqueológicos da América do Sul.
As atividades seguem durante todo o fim de semana, com uma programação que inclui trilhas interpretativas acompanhadas pelo Corpo de Bombeiros Militar do Acre, palestras, mesas de debate, oficinas e exposição de peças arqueológicas. A proposta é aproximar a população da história dos povos ancestrais responsáveis pela construção das impressionantes figuras geométricas escavadas no solo amazônico.
Geoglifos colocam o Acre no mapa da arqueologia mundial
Os geoglifos do Acre são estruturas monumentais formadas por valas e aterros em formatos geométricos, como círculos, quadrados e octógonos, construídas por sociedades pré-coloniais há cerca de dois mil anos. Atualmente, mais de 400 estruturas já foram identificadas no estado, tornando o Acre uma das regiões arqueológicas mais importantes da Amazônia.
Embora ainda não exista consenso científico sobre sua função, pesquisadores acreditam que os geoglifos tenham servido como espaços cerimoniais, locais de encontro comunitário ou centros de organização social das populações indígenas que habitavam a região antes da chegada dos europeus.
Parte desse patrimônio já recebeu reconhecimento nacional. Em 2018, o Sítio Arqueológico Jacó Sá, em Rio Branco, tornou-se o primeiro geoglifo do Acre tombado pelo Iphan, e o conjunto arqueológico integra atualmente a Lista Indicativa brasileira a Patrimônio Mundial da Unesco.
Turismo e educação caminham juntos
Além da valorização histórica, a programação busca estimular o turismo cultural no estado. Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Turismo, Tecnologia e Inovação, coronel Bino, a intenção é consolidar o Dia dos Geoglifos como um evento permanente no calendário turístico de Rio Branco.
Para o gestor, iniciativas como essa contribuem para ampliar o conhecimento da população sobre a riqueza arqueológica do Acre e fortalecer o potencial turístico do estado, aproximando visitantes da história e da identidade amazônica.
A programação também tem caráter educativo, envolvendo estudantes de diferentes níveis de ensino em atividades que incentivam a preservação do patrimônio cultural e o reconhecimento da importância dos povos originários na formação da história amazônica.
Patrimônio que ajuda a recontar a história da Amazônia
Nas últimas décadas, os geoglifos transformaram a compreensão científica sobre a ocupação humana da Amazônia. As descobertas arqueológicas demonstram que a floresta foi habitada por sociedades complexas, capazes de modificar a paisagem e desenvolver sofisticadas formas de organização muito antes da colonização europeia.
Esse conjunto de evidências tem colocado o Acre em posição de destaque nas pesquisas arqueológicas internacionais, reforçando a importância da preservação desses sítios para a ciência, para a cultura e para o turismo sustentável.
Ao celebrar o Dia dos Geoglifos, Rio Branco reafirma seu compromisso com a valorização desse patrimônio único, aproximando a população de uma história que continua revelando novos capítulos sobre o passado da Amazônia.

