Imagens registradas no município de Iranduba mostram duas pessoas próximas às chamas, em meio ao agravamento das queimadas no estado. Secretaria de Segurança Pública intensificou o monitoramento aéreo para identificar possíveis crimes ambientais.
Imagens captadas por um drone flagraram pelo menos duas pessoas suspeitas de provocar um incêndio em uma área de vegetação próxima a residências no distrito de Cacau Pirêra, no município de Iranduba, na Região Metropolitana de Manaus. O registro foi realizado em 7 de outubro e divulgado pelo g1 em meio ao avanço das queimadas no Amazonas.
Na gravação, os suspeitos aparecem se movimentando pela área enquanto o fogo começa a se espalhar. Em determinado momento, um deles se afasta das chamas, enquanto o outro retorna ao local e acrescenta objetos ao fogo.
As imagens levantam suspeitas de ação humana na origem da ocorrência, mas as identidades dos envolvidos não foram divulgadas.
Até a última atualização das informações, não havia confirmação oficial de prisões relacionadas ao flagrante. A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) foi questionada pelo g1 sobre a situação dos suspeitos, mas não havia respondido.
Região já havia registrado incêndio de grandes proporções
O flagrante ocorreu cinco dias após um incêndio de grandes proporções atingir a vegetação do mesmo distrito.
Em 2 de outubro, moradores de Manaus registraram imagens de chamas intensas na região de Cacau Pirêra. O fogo podia ser observado das margens do Rio Negro, na capital amazonense.
A proximidade das ocorrências com áreas residenciais aumenta a preocupação com a segurança dos moradores, especialmente diante da possibilidade de propagação das chamas para imóveis e outras áreas de vegetação.
Além dos danos ambientais, incêndios dessa natureza podem comprometer a qualidade do ar e colocar em risco a saúde da população, sobretudo de crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.
Não há, entretanto, confirmação de que os episódios registrados nos dias 2 e 7 de outubro tenham sido provocados pelas mesmas pessoas ou estejam diretamente relacionados.
Drones com câmeras térmicas reforçam fiscalização
Diante do agravamento das queimadas, a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas informou que intensificou as operações de monitoramento aéreo com drones equipados com câmeras térmicas.
A tecnologia permite identificar focos de calor, movimentações suspeitas e possíveis atividades ilícitas em áreas de mata e regiões de difícil acesso, inclusive durante o período noturno.
Segundo a SSP-AM, quando os operadores identificam fumaça, incêndios ou comportamentos suspeitos, as imagens e coordenadas geográficas são encaminhadas às equipes policiais que atuam em solo.
O procedimento busca agilizar o deslocamento das viaturas, facilitar a localização das ocorrências e permitir abordagens mais rápidas.
O uso de equipamentos de monitoramento também pode contribuir para a obtenção de registros que auxiliem eventuais investigações sobre a origem dos incêndios.
Queimadas afetam municípios e comprometem a qualidade do ar
O episódio em Iranduba ocorre em um contexto de incêndios florestais registrados em diferentes regiões do Amazonas desde o fim de agosto.
Em Itacoatiara, um incêndio na região do Rio Urubu permaneceu ativo por mais de 40 dias. Outro episódio, na região do Lago do Canaçari, atingiu mais de 1,3 mil hectares de vegetação.
Na capital amazonense, um incêndio em uma área de vegetação e descarte de resíduos no Distrito Industrial II durou mais de 48 horas, contribuindo para o aumento da fumaça.
Os efeitos também foram percebidos em municípios como Manacapuru e Autazes, onde a poluição atmosférica prejudicou as condições ambientais.
A situação provocou alterações na rotina da população, incluindo suspensão de atividades ao ar livre e interrupção de aulas em instituições de ensino.
Dados divulgados pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) apontam 559 atendimentos de saúde relacionados à exposição à fumaça em Manaus entre os dias 1º e 17 de outubro.
Governo federal reforça operações de combate aos incêndios
Em resposta à situação, o governo federal anunciou, no domingo (18), o reforço das operações de combate aos incêndios florestais no Amazonas.
A estrutura anunciada inclui 16 aeronaves, quatro esquadrões de helicópteros, dois navios e ampliação do efetivo de brigadistas.
Também foi instituído um Estado-Maior Conjunto para coordenar a atuação das Forças Armadas e dos demais órgãos envolvidos nas ações de enfrentamento das queimadas.
Na área da saúde, foi anunciada a instalação de uma base descentralizada da Força Nacional do SUS em Manaus, prevista para esta terça-feira (20), com o objetivo de fortalecer a resposta aos impactos da fumaça sobre a população.
Provocar incêndios em vegetação pode configurar crime ambiental
A legislação brasileira prevê responsabilização penal para quem provoca incêndios em florestas ou demais formas de vegetação.
O artigo 41 da Lei nº 9.605/1998, conhecida como Lei de Crimes Ambientais, estabelece pena de reclusão de dois a quatro anos, além de multa, para a conduta dolosa. A legislação também prevê tratamento específico para a modalidade culposa.
A eventual responsabilização dos envolvidos no episódio de Iranduba dependerá da apuração das circunstâncias, da identificação dos suspeitos e da comprovação da conduta.
O flagrante reforça a importância da fiscalização ambiental e do uso de tecnologias capazes de identificar possíveis ações criminosas, especialmente durante o período de estiagem, quando o fogo pode se espalhar rapidamente.
A prevenção e a responsabilização por incêndios ilegais são medidas importantes para reduzir os danos à biodiversidade amazônica e proteger as populações que vivem nas áreas afetadas.

