Força-tarefa reúne 18 aeronaves e cerca de 1.500 profissionais. Entre junho e outubro, Corpo de Bombeiros atuou no combate a mais de 24 mil focos de incêndio no estado.
Uma força-tarefa formada pelos governos estadual e federal lançou aproximadamente 3,2 milhões de litros de água sobre áreas atingidas por incêndios florestais no Amazonas, durante duas semanas de operações. A ação, iniciada em 11 de outubro, mobiliza 18 aeronaves e integra as medidas emergenciais de enfrentamento às queimadas e aos efeitos da estiagem no estado.
Os dados foram divulgados pelo Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), por meio da Secretaria de Estado de Comunicação Social (Secom), na terça-feira (27). Segundo o balanço, as operações aéreas são coordenadas pela Sala de Situação da corporação, que utiliza imagens de satélite para identificar os pontos prioritários de combate.
A estrutura conta com 16 aeronaves disponibilizadas pelo Governo Federal e duas pelo Governo do Amazonas. Entre os equipamentos mobilizados estão oito aviões Air Tractor, dois KC-390 e oito helicópteros.
Enquanto os aviões são empregados diretamente no lançamento de água sobre os incêndios, os helicópteros são utilizados no transporte de militares, brigadistas, equipamentos e suprimentos para áreas de difícil acesso.
A mobilização ocorre em um período de intensificação dos incêndios florestais, que ameaçam a vegetação amazônica e exigem respostas coordenadas para reduzir os danos ambientais.
Satélites orientam combate aos incêndios florestais
O planejamento das operações aéreas depende do monitoramento realizado pela Sala de Situação do Corpo de Bombeiros.
Por meio de imagens de satélite, as equipes identificam os pontos com maior necessidade de intervenção e encaminham as coordenadas geográficas aos pilotos responsáveis pelos deslocamentos.
O procedimento permite direcionar as aeronaves para locais específicos, inclusive em regiões florestais afastadas dos centros urbanos.
Segundo o coordenador das operações aéreas do CBMAM, coronel Helliton Silva, a utilização de coordenadas é indispensável para garantir a precisão das ações.
“A partir do momento que esses alvos são identificados, nós solicitamos o apoio das aeronaves que estão disponíveis. São passadas as coordenadas geográficas, os pilotos colocam nos equipamentos de suas aeronaves e chegam até o local”, explicou.
O coronel ressaltou que a simples indicação do nome de uma comunidade ou localidade não é suficiente para orientar as tripulações durante as operações.
A estratégia busca melhorar a eficiência do combate e otimizar a utilização das aeronaves disponíveis, especialmente diante das grandes distâncias e das dificuldades de deslocamento na região amazônica.
Manaus, Itacoatiara e Parintins concentram bases operacionais
A força-tarefa estabeleceu bases estratégicas em Manaus, Itacoatiara e Parintins, municípios considerados importantes para a logística das operações aéreas.
A escolha leva em consideração a distribuição dos incêndios e a necessidade de facilitar o deslocamento das aeronaves para os pontos prioritários.
Segundo o coronel Helliton Silva, Manaus, Itacoatiara, Parintins e Autazes estavam entre os municípios que apresentavam maior concentração de focos ativos no momento do levantamento.
A estrutura permite organizar o abastecimento das aeronaves, o transporte das equipes e o envio de materiais necessários ao combate.
Os helicópteros desempenham papel importante nesse processo, principalmente em localidades onde o acesso terrestre é limitado ou inexistente.
Além do deslocamento de brigadistas e bombeiros, os equipamentos são utilizados para transportar suprimentos e outros materiais de apoio.
A atuação integrada entre diferentes órgãos também busca ampliar a capacidade de resposta às ocorrências e reduzir o tempo necessário para mobilizar as equipes.
Amazonas registra mais de 24 mil focos combatidos desde junho
O balanço divulgado pelo Corpo de Bombeiros revela a dimensão das operações realizadas no estado ao longo dos últimos meses.
Entre 1º de junho e 26 de outubro de 2026, a corporação contabilizou 3.889 ocorrências relacionadas a incêndios urbanos e florestais.
No mesmo período, o CBMAM informou ter atuado no combate a 24.272 focos de incêndio em todo o Amazonas.
Desse total, 4.732 focos foram registrados na capital, Manaus, enquanto 19.540 estavam localizados em municípios do interior.
Os números demonstram a abrangência territorial das ações de combate, que envolvem desde ocorrências próximas às áreas urbanas até incêndios em regiões florestais afastadas.
É importante observar que o número de focos combatidos não corresponde necessariamente à quantidade de incêndios individuais, uma vez que uma mesma ocorrência pode envolver diferentes pontos de fogo.
A concentração de registros no interior também evidencia os desafios logísticos enfrentados pelas equipes, que precisam atuar em um território marcado por grandes distâncias e dificuldades de acesso.
Cerca de 1.500 profissionais participam das operações
As ações de prevenção e combate às queimadas mobilizam aproximadamente 1.500 profissionais, entre bombeiros militares e brigadistas.
O trabalho envolve equipes estaduais e federais, que atuam de forma articulada no monitoramento dos incêndios e nas operações terrestres e aéreas.
Entre as medidas anunciadas pelo Governo do Amazonas está a contratação de mais 153 brigadistas florestais por meio do programa Floresta em Pé.
A iniciativa busca ampliar a capacidade de atuação nas áreas mais vulneráveis aos incêndios.
O governo estadual também informou a entrega de novas viaturas, incluindo picapes equipadas com kits de combate a incêndio, além de equipamentos destinados a diferentes tipos de operação.
Esses recursos são utilizados para apoiar as equipes em campo e melhorar as condições de enfrentamento das ocorrências.
A combinação de brigadistas, bombeiros, aeronaves e equipamentos terrestres é considerada fundamental para o combate ao fogo em áreas florestais extensas.
Corpo de Bombeiros amplia presença no interior do Amazonas
Além das operações emergenciais, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas informou ter ampliado sua estrutura permanente nos municípios do estado.
Entre maio de 2025 e setembro de 2026, o número de cidades com bases permanentes da corporação passou de 11 para 26.
A expansão representa mais que o dobro da cobertura municipal anteriormente existente.
Segundo o governo estadual, cada novo município atendido recebeu uma viatura de combate a incêndio com capacidade para transportar 10 mil litros de água, além de equipamentos e militares.
A estrutura também conta com apoio de brigadistas, em parceria com as administrações municipais.
A corporação destacou ainda o crescimento de seu efetivo, que passou de 692 militares, em 2019, para 1.537, em 2025.
A ampliação ocorreu após a realização de concurso público, o primeiro promovido pela instituição em 11 anos.
A presença permanente de equipes em diferentes regiões pode contribuir para reduzir o tempo de resposta às emergências e fortalecer as atividades de prevenção.
Combate às queimadas exige monitoramento e prevenção contínuos
O lançamento de 3,2 milhões de litros de água em duas semanas demonstra a dimensão dos recursos mobilizados para enfrentar os incêndios florestais no Amazonas.
Entretanto, o combate às chamas representa apenas uma das etapas necessárias para reduzir os impactos ambientais das queimadas.
A prevenção de novos incêndios, o monitoramento das áreas vulneráveis e o fortalecimento das equipes locais também são fundamentais para proteger a vegetação e as populações expostas aos efeitos da fumaça.
Na Amazônia, as dificuldades de acesso e a extensão territorial tornam especialmente importante a utilização de tecnologias de monitoramento e a integração entre órgãos públicos.
A ampliação das bases permanentes do Corpo de Bombeiros e a mobilização de aeronaves fazem parte das estratégias adotadas para enfrentar essas dificuldades.
Com milhares de focos combatidos desde junho, o cenário reforça a necessidade de manter ações preventivas e estruturas de resposta capazes de atuar durante os períodos de maior risco.

