Aegea amplia investimentos e leva saneamento básico a 126 municípios no Norte do Brasil

Redação Planeta Amazônia

A ampliação do saneamento básico na região Norte do Brasil tem sido tratada como prioridade diante dos desafios históricos de infraestrutura, desigualdades sociais e impactos ambientais. Nesse cenário, a Aegea, uma das maiores empresas privadas do setor no país, anunciou a expansão de sua atuação na região, com previsão de R$ 18 bilhões em investimentos no Pará ao longo de 40 anos, por meio da concessionária Águas do Pará. A iniciativa deve beneficiar aproximadamente 5,5 milhões de pessoas em 126 municípios paraenses.

A concessão obtida pela companhia neste ano representa uma das maiores operações de saneamento da região Norte e tem como meta universalizar o abastecimento de água até 2033, alcançando 99% da população, e garantir 90% de cobertura de coleta e tratamento de esgoto até 2039. Apesar de o início oficial das operações estar previsto apenas para 2026, a empresa antecipou os trabalhos e, até dezembro de 2025, 37 municípios já haviam iniciado a operação, incluindo Belém, Ananindeua e Marituba, na região metropolitana da capital paraense.

As obras começaram em setembro e envolvem intervenções estruturais para modernizar e ampliar os sistemas de água e esgoto, com atenção especial à resiliência hídrica diante de eventos climáticos extremos. O reforço na infraestrutura também esteve alinhado à preparação das cidades para a realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), sediada em Belém, que trouxe ao centro do debate a relação entre saneamento, saúde pública e mudanças climáticas.

Segundo o vice-presidente regional da Aegea para o Norte e Nordeste, Renato Medicis, a ausência de saneamento básico intensifica problemas ambientais, agrava enchentes, contamina mananciais e aumenta o risco de doenças, sobretudo em áreas marcadas por ocupações precárias e condições socioeconômicas vulneráveis. Ele destaca que, somente na Amazônia Legal, a companhia já investiu mais de R$ 6 bilhões em soluções adaptadas às características da região.

Um dos exemplos emblemáticos da atuação da empresa no Pará está na Vila da Barca, comunidade centenária de palafitas em Belém, onde mais de 80% da população não contava com coleta de esgoto. No local, a Águas do Pará implantou um sistema inovador de redes de água elevadas, projetadas para evitar alagamentos e o contato com água contaminada. As obras garantiram acesso à água potável para mais de 1.400 imóveis, além do início da implantação do sistema de esgotamento sanitário, com previsão de conclusão em abril de 2026.

A engenharia adotada na Vila da Barca replica soluções utilizadas anteriormente no Beco do Nonato, em Manaus, experiência considerada pioneira e que se tornou referência para áreas com ocupações sobre palafitas. Ao todo, foram implantados mais de 2 quilômetros de redes de água em apenas três meses, além da expansão gradual da infraestrutura de esgoto.

Além do avanço no Pará, a Aegea destaca resultados consolidados em outros municípios da região Norte. Barcarena, também no Pará, tornou-se a primeira cidade do estado a alcançar a universalização do saneamento, oito anos antes do prazo previsto pelo Marco Legal do Saneamento. No município, mais de 120 mil pessoas foram beneficiadas após investimentos superiores a R$ 220 milhões, que resultaram na implantação de centenas de quilômetros de redes de água e esgoto e na construção de novas estações de tratamento.

Em Manaus, a atuação da Águas de Manaus permitiu que 200 mil pessoas tivessem acesso à água tratada pela primeira vez desde 2018. Os avanços contribuíram para melhorias ambientais e sanitárias, incluindo a redução de 88% nos casos de hepatite A entre 2018 e 2024, segundo dados da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas. Atualmente, mais de 99% da população manauara conta com abastecimento de água tratada.

Outro eixo destacado pela empresa é a política de tarifas sociais, voltada à inclusão de famílias de baixa renda. Nos novos municípios atendidos pela Águas do Pará, a expectativa é que 30% da população, cerca de 1,6 milhão de pessoas, seja beneficiada com tarifas reduzidas ou valores fixos, garantindo acesso ao serviço sem comprometer a renda familiar.

De acordo com a Aegea, a ampliação do saneamento básico no Norte vai além da infraestrutura física, buscando promover dignidade, inclusão social, redução das desigualdades e melhoria da qualidade de vida, especialmente em comunidades historicamente negligenciadas pelo poder público e pelo mercado

By emprezaz

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