por Redação Planeta Amazônia
Cientistas alertam que a Floresta Amazônica pode estar caminhando para um novo e perigoso regime climático, classificado como hipertropical, caracterizado por calor extremo e secas intensas, com impactos profundos no equilíbrio climático global e na própria sustentabilidade do bioma.
Um estudo publicado na revista Nature por pesquisadores da Universidade da Califórnia, Berkeley, indica que a Amazônia está passando por uma transformação sem precedentes, aproximando-se de condições climáticas que não são observadas na Terra há cerca de 40 milhões de anos. Atualmente, episódios de “seca quente” — combinação de temperaturas muito altas e baixa umidade — duram apenas dias ou semanas, mas as projeções indicam que, se as emissões de gases de efeito estufa continuarem elevadas, podem alcançar até 150 dias por ano nas próximas décadas.
Os cientistas definem o clima hipertropical como aquele em que as temperaturas ultrapassam o percentil 99 dos registros históricos dos trópicos, associadas a redução acentuada da umidade do solo. Nessas condições extremas, a mortalidade das árvores pode aumentar em até 55%, comprometendo a capacidade da floresta de absorver dióxido de carbono — maior função climática da Amazônia — e até transformando a mata em uma emissora líquida de carbono.
Segundo os pesquisadores, a combinação de secas mais frequentes e calor intenso empurra o bioma para além dos limites de sua adaptabilidade. Em condições onde a umidade do solo cai a níveis críticos, as árvores podem interromper a absorção de carbono ou sofrer danos fisiológicos que resultam em morte, alterando a estrutura e composição do ecossistema.
O estudo também ressalta que esse fenômeno não se restringe à Amazônia: outras grandes florestas tropicais, como as da África e do Sudeste Asiático, podem estar sujeitas a avanços semelhantes se as mudanças climáticas não forem contidas. Cientistas destacam que reduzir as emissões de gases de efeito estufa, combater o desmatamento e ampliar ações de adaptação climática são medidas urgentes para evitar que a maior floresta tropical do planeta alcance um ponto de não retorno.

