Redação Planeta Amazônia
O Acre registrou melhora significativa na qualidade do ar em 2025, acompanhando a redução das queimadas na Amazônia Legal. Dados de um estudo sobre poluição atmosférica na região indicam uma queda expressiva na intensidade e duração dos episódios de fumaça, após um ano anterior marcado por crise ambiental.
Segundo o levantamento, o número de dias consecutivos com alta concentração de poluentes no estado caiu de 51, em 2024, para apenas 4 dias em 2025 — um indicativo direto da diminuição das queimadas e da influência do período chuvoso na dispersão das partículas no ar.
A pesquisa, conduzida por cientistas do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) em parceria com instituições internacionais, aponta que a redução dos focos de calor no sudoeste da Amazônia foi determinante para esse cenário. No entanto, os especialistas alertam que a melhora não significa o fim do problema, mas sim uma mudança na distribuição da poluição.
De acordo com os pesquisadores, a fumaça passou a se concentrar com maior intensidade na porção leste da Amazônia, afetando estados como o Maranhão, que registrou até 13 dias consecutivos de ar poluído. “A poluição não desapareceu, apenas mudou de rota, acompanhando a dinâmica das queimadas e dos ventos”, destaca o estudo.
O levantamento também aponta que a área queimada em 2025 foi significativamente menor em comparação ao ano anterior, resultando em uma redução de cerca de 71% na presença de ar contaminado na Amazônia Legal. Em 2024, episódios extremos chegaram a manter partículas nocivas suspensas por até 138 dias em determinadas regiões.
Apesar da melhora no Acre, o cenário regional continua sendo motivo de preocupação. A poluição atmosférica causada por queimadas tem impacto direto na saúde pública. A Organização Mundial da Saúde (OMS) relaciona a exposição ao material particulado fino (PM2.5) ao aumento de doenças respiratórias, cardiovasculares e ao risco de câncer de pulmão.
Diante desse contexto, o estudo reforça a necessidade de ampliar sistemas de monitoramento contínuo da qualidade do ar, permitindo respostas mais rápidas por parte do poder público e maior capacidade de adaptação das comunidades durante períodos críticos de incêndios florestais.
A análise também evidencia um ponto central no debate ambiental amazônico: avanços locais podem coexistir com agravamentos regionais, exigindo políticas integradas que considerem a dinâmica do bioma como um todo. A melhora no Acre, portanto, é um indicativo positivo, mas não elimina os desafios estruturais relacionados às queimadas e às mudanças climáticas na região.

