O Corpo de Bombeiros Militar de Roraima (CBMRR) tem reforçado as ações de prevenção e combate a incêndios em diversas regiões do estado, diante do aumento no número de focos registrados nos primeiros meses do ano. Além das operações em campo, as equipes também têm ampliado o trabalho de orientação à população sobre os riscos das queimadas irregulares e a importância da queima controlada.
Entre as áreas mais afetadas estão regiões rurais de Boa Vista, como o Murupu e o Projeto de Assentamento Nova Amazônia, onde, segundo a corporação, grande parte dos incêndios é provocada por ação humana.
De acordo com o gerente de Proteção e Defesa Civil, major Rodrigo Maciel, o Corpo de Bombeiros já realizou 8.716 atividades relacionadas à prevenção e combate a incêndios em 2026, incluindo 584 ocorrências de combate direto ao fogo, sendo 198 somente na capital.

Além de Boa Vista, municípios como Amajari, Cantá e Bonfim também têm recebido atenção especial, com ações voltadas principalmente ao combate a incêndios florestais, em vegetação e em terrenos baldios.
Aumento de focos de incêndio preocupa autoridades
Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicam crescimento no número de focos de incêndio na capital em comparação ao ano anterior. Entre janeiro e março de 2025, foram registrados 22 focos em Boa Vista. No mesmo período de 2026, o número subiu para 65 focos.
Até o momento, o estado já contabiliza 408 focos de incêndio, número ainda abaixo da média histórica para o período, que é de 622, mas que acende um alerta para os órgãos ambientais.
Segundo a Defesa Civil, ao comparar os três primeiros meses de 2025 com 2026, houve um aumento de 66% nos focos de incêndio em Roraima, cenário que pode estar associado a mudanças nas condições climáticas.
Monitoramento e resposta em tempo real
O acompanhamento das áreas de risco é feito diariamente por meio de dados de plataformas como o próprio Inpe e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam). As informações são utilizadas para identificar regiões com maior propensão à propagação do fogo e orientar as estratégias de resposta.

A Defesa Civil também mantém monitoramento em campo, com apoio das coordenadorias municipais e bases operacionais instaladas em áreas estratégicas.
Orientação à população e prevenção
Além das ações de combate, o CBMRR tem reforçado campanhas educativas para prevenir novos incêndios. A corporação orienta que qualquer uso do fogo seja previamente autorizado por órgãos ambientais, como a Fundação Estadual de Meio Ambiente.
O major Rodrigo Maciel reforça que queimadas sem autorização são consideradas crime, tanto em áreas urbanas quanto rurais.

Entre as recomendações estão a manutenção de terrenos limpos nas cidades e, na zona rural, a criação de aceiros — faixas de terra sem vegetação — para impedir a propagação do fogo e proteger propriedades, plantações e animais.
As autoridades destacam que a combinação entre prevenção, fiscalização e conscientização é essencial para reduzir os impactos ambientais e sociais causados pelas queimadas no estado.

