Desmatamento cai 30% em áreas da Amazônia atendidas pelo Bolsa Verde, aponta estudo

Por Redação Planeta Amazônia

Áreas da Amazônia atendidas pelo Programa Bolsa Verde registraram uma redução de cerca de 30% no desmatamento, segundo estudo científico com participação do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A pesquisa indica que a iniciativa contribuiu para evitar a perda de aproximadamente 22.600 hectares de floresta e a emissão de 8,3 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂).

Criado em 2011 e retomado em 2023, o programa é coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e combina transferência de renda com conservação ambiental. A iniciativa paga benefícios trimestrais a famílias que vivem em áreas prioritárias e se comprometem a preservar a vegetação nativa e adotar práticas sustentáveis.

O estudo analisou 317 áreas atendidas pelo programa, que abrangem cerca de 21 mil famílias, principalmente na região conhecida como Arco do Desmatamento, que inclui partes do Pará, Mato Grosso, Rondônia e Acre. A metodologia utilizou dados de sistemas como Prodes, Deter e TerraClass, além de registros do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e de infrações ambientais.

Os resultados mostram que, entre 2012 e 2015, o desmatamento em assentamentos e unidades de conservação de uso sustentável incluídas no programa foi significativamente menor em comparação a áreas semelhantes que não receberam o benefício.

Além do impacto ambiental, o levantamento aponta que o Bolsa Verde apresenta bom desempenho econômico na redução de emissões. As emissões evitadas foram estimadas em cerca de US$ 199 milhões, valor 2,8 vezes superior ao custo total da primeira fase do programa. O custo médio para evitar emissões foi calculado em aproximadamente US$ 8,6 por tonelada de CO₂, considerado baixo em comparação a outras iniciativas de mercado.

Atualmente, mais de 70 mil famílias são beneficiadas diretamente pela política pública, que atua em territórios estratégicos para a conservação, como unidades de conservação, assentamentos da reforma agrária e áreas de povos e comunidades tradicionais. Ao todo, cerca de 470 áreas são contempladas, somando mais de 30 milhões de hectares preservados.

Nos últimos dois anos, o governo federal investiu aproximadamente R$ 280 milhões no programa, incluindo recursos destinados ao pagamento de benefícios e ações de assistência técnica e extensão rural.

A iniciativa integra o conjunto de estratégias do governo brasileiro para reduzir o desmatamento e alcançar a meta de desmatamento zero até 2030. Dados recentes do Prodes indicam que a taxa de desmatamento na Amazônia vem apresentando queda, com redução de mais de 11% no último período analisado e tendência de diminuição acumulada desde 2022.

Especialistas destacam que políticas públicas que combinam inclusão social e conservação ambiental são fundamentais para manter a floresta em pé e enfrentar a crise climática, especialmente em regiões onde comunidades tradicionais desempenham papel central na proteção dos recursos naturais.

By emprezaz

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens relacionadas