Estados da Amazônia tiveram até 138 dias de ar nocivo à saúde após sequência de queimadas

Estados da Amazônia chegaram a registrar até 138 dias com ar considerado nocivo à saúde em decorrência das queimadas ocorridas em 2024, segundo estudo conduzido pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM). A análise aponta que a fumaça resultante dos incêndios elevou a concentração de partículas tóxicas associadas a doenças cardiovasculares e câncer de pulmão.

De acordo com o estudo, as queimadas daquele ano — impulsionadas por uma seca histórica — atingiram mais de 17 milhões de hectares na região amazônica, agravando significativamente a qualidade do ar. A poluição atmosférica foi intensificada pela presença de material particulado fino (PM2.5), altamente prejudicial à saúde humana.

Os dados mostram que, mesmo com a redução de 71% nos focos de calor em 2025, ainda houve regiões que enfrentaram mais de 20 dias consecutivos de exposição à fumaça tóxica. Estados da porção sudoeste da Amazônia, como Pará, Mato Grosso e Tocantins, registraram em média 47 dias de ar poluído, enquanto Rondônia chegou a contabilizar 100 dias de exposição prolongada.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a exposição ao material particulado fino está relacionada a cerca de 4,2 milhões de mortes por ano no mundo, reforçando a gravidade do problema.

Pesquisadores destacam que a Amazônia não possui um regime natural de fogo, e a maior parte dos incêndios registrados tem origem humana, seja por práticas agropecuárias, desmatamento ou queimadas intencionais. Em períodos de seca extrema, como o observado em 2024, essas queimadas tendem a fugir do controle e se transformar em grandes incêndios florestais.

Em 2025, a melhora nas condições climáticas, com o retorno das chuvas e a redução dos efeitos do El Niño, contribuiu para a diminuição da área queimada, que caiu para cerca de 3,8 milhões de hectares — uma redução de 78% em relação ao ano anterior. Ainda assim, especialistas alertam que os impactos da poluição do ar persistem e podem variar conforme fatores climáticos e padrões de dispersão dos poluentes.

O estudo também indica mudanças na distribuição da poluição atmosférica, com maior concentração recente na porção leste da Amazônia. Maranhão e Rondônia registraram episódios críticos, com até 13 dias consecutivos de alta poluição do ar.

Diante do cenário, os pesquisadores defendem a integração entre políticas ambientais e de saúde pública, incluindo o monitoramento contínuo da qualidade do ar, a capacitação de profissionais de saúde e a criação de protocolos específicos para reduzir os impactos da exposição à fumaça.

A recomendação também inclui a incorporação de metas de qualidade do ar aos planos de combate ao desmatamento e às queimadas, como forma de ampliar a resposta a crises ambientais e proteger a população.

Materia produzida a partir das informações de Lucas Guaraldo

By emprezaz

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