Por Redação Planeta Amazônia
O Hospital Israelita Albert Einstein deu início ao projeto Malar.IA, uma iniciativa que utiliza inteligência artificial (IA) para acelerar o diagnóstico da malária em regiões da Amazônia de difícil acesso. O projeto é realizado em parceria com a Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), em Manaus, e conta com apoio da Positivo Tecnologia e da Hilab.
A proposta é reduzir significativamente o tempo de diagnóstico da doença, que atualmente pode levar de três a cinco dias, devido à distância entre comunidades e unidades laboratoriais e à dependência de análise manual por microscopistas. Com a nova tecnologia, a expectativa é que o resultado seja obtido em cerca de 15 minutos, permitindo o início imediato do tratamento.
Segundo os idealizadores, a iniciativa busca fortalecer a vigilância em saúde em áreas remotas da Amazônia, onde se concentram mais de 99% dos casos de malária registrados no Brasil, conforme dados do Ministério da Saúde.
Tecnologia e aplicação em campo
O projeto tem duração prevista de 24 meses, com início em outubro de 2025 e término em setembro de 2027. Ao longo do período, devem ser coletadas 1.400 amostras biológicas nos municípios de Manaus e São Gabriel da Cachoeira, regiões com alta incidência de malária causada pelos parasitas Plasmodium vivax e Plasmodium falciparum.
A partir dessas amostras, serão geradas cerca de 30 mil imagens microscópicas, utilizadas para treinar o algoritmo de inteligência artificial. A tecnologia será embarcada no Hilab Lens, um microscópio digital portátil desenvolvido no Brasil, capaz de capturar e interpretar imagens de lâminas de sangue sem a necessidade de estrutura laboratorial convencional.
Integrada a um microscópio compacto, a solução permite a realização de diagnósticos em trânsito, diretamente em unidades básicas de saúde, comunidades isoladas ou durante ações de campo, ampliando a capacidade de resposta do sistema de saúde.
Pesquisa, validação e impacto
O projeto também prevê uma etapa de validação clínica, com a participação de aproximadamente 320 voluntários, na qual os resultados obtidos pelo algoritmo serão comparados aos métodos laboratoriais tradicionais, avaliando a precisão e a confiabilidade da ferramenta.
Para o diretor executivo de Inovação do Einstein, Rodrigo Demarch, o projeto traduz o uso da inteligência artificial como instrumento prático para enfrentar desafios reais da saúde pública. Segundo ele, a tecnologia foi desenvolvida a partir de dados da própria Amazônia, com foco em aplicação escalável e impacto social.
Além do diagnóstico da malária, a expectativa é que a tecnologia possa ser adaptada futuramente para o diagnóstico rápido de outras doenças infecciosas, como tuberculose pulmonar, leishmaniose visceral e doença de Chagas, ampliando seu uso no Sistema Único de Saúde (SUS).
