Impactos da emergência climática nos oceanos preocupam cientistas e ameaçam segurança alimentar

Por Redação Planeta Amazônia

Os oceanos do planeta vêm acumulando efeitos cada vez mais intensos da emergência climática, fenômeno que preocupa pesquisadores e especialistas em governança ambiental. Entre os principais impactos observados estão o aquecimento anormal das águas, branqueamento de corais, deslocamento de espécies polares, queda na reprodução de peixes e alterações nas correntes marítimas.

O tema foi debatido durante o 3º Simpósio BBNJ (Biodiversidade Além da Jurisdição Nacional), realizado no Rio de Janeiro, que reuniu cientistas, representantes de governos e organizações internacionais para discutir a implementação do Tratado do Alto-Mar, acordo internacional que entrou em vigor em janeiro de 2026.

O tratado, ratificado até o momento por 86 países, incluindo o Brasil, busca estabelecer regras para a proteção da biodiversidade em águas internacionais, que correspondem a cerca de dois terços de toda a área oceânica do planeta e não pertencem à jurisdição de nenhum país.

Mudanças climáticas no centro das discussões

O acordo internacional inclui diversas referências às mudanças climáticas e destaca problemas como aquecimento das águas, acidificação, perda de oxigênio e poluição marinha, além da necessidade de identificar e proteger áreas mais vulneráveis.

Segundo Segen Farid Estefen, diretor-geral do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO), o tratado representa um avanço ao colocar o oceano no centro do debate climático global. Historicamente, os impactos marinhos têm recebido menor atenção nos relatórios internacionais sobre mudanças climáticas.

Impactos sociais e econômicos

Especialistas alertam que os efeitos do aquecimento global nos oceanos não se limitam ao ambiente marinho e podem provocar impactos diretos na sociedade.

A professora de Oceanografia Física e Clima da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Regina Rodrigues, destaca que a elevação do nível do mar ameaça mais de um bilhão de pessoas que vivem em regiões costeiras de baixa altitude.

Outro ponto de preocupação é a segurança alimentar global. De acordo com a pesquisadora, cerca de três bilhões de pessoas dependem de frutos do mar como principal fonte de proteína, e a queda na reprodução de peixes pode comprometer o abastecimento em diversas regiões do mundo.

Riscos para a pesca e conflitos internacionais

Pesquisadores também alertam para mudanças na distribuição dos estoques pesqueiros. O cientista brasileiro Juliano Palacios Abrantes, do Instituto para os Oceanos e Pescas da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, explicou que o aquecimento global tem provocado o deslocamento de espécies para áreas onde não existem acordos de gestão pesqueira.

Segundo ele, muitos estoques de peixes tropicais estão migrando das zonas econômicas exclusivas dos países para o alto-mar, o que pode gerar disputas internacionais sobre o acesso aos recursos.

Além disso, o fenômeno pode aumentar desigualdades globais, já que apenas um número limitado de países possui tecnologia e infraestrutura para realizar pesca em águas internacionais.

Diante desse cenário, cientistas defendem o fortalecimento da governança global dos oceanos e a integração entre diferentes tratados internacionais voltados à proteção climática e à conservação da biodiversidade marinha.

By emprezaz

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