Ipaam resgata macaco-barrigudo mantido em sítio na BR-174, em Manaus

Um macaco-barrigudo (Lagothrix cana), espécie classificada como vulnerável à extinção, foi resgatado pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) em uma propriedade rural localizada no km 26 da BR-174, em Manaus. O animal, uma fêmea apelidada de “Chica”, permaneceu por cerca de um mês no local sob cuidados de um caseiro, apresentando sinais de adaptação ao convívio humano.

Segundo informações do órgão, a primata chegou ao sítio já com uma corda presa ao corpo e passou a ser alimentada com frutas, permanecendo próxima à residência. O comportamento dócil e habituado à presença de pessoas levantou a suspeita de que o animal tenha sido mantido anteriormente em cativeiro, prática ilegal e que compromete a sobrevivência da espécie na natureza.

O diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço, destacou a importância da participação da população no acionamento dos órgãos ambientais. “A atuação da população é fundamental nesse processo. Ao identificar um animal silvestre fora do seu habitat ou em situação atípica, é essencial acionar o Ipaam. Esse cuidado evita riscos tanto para o animal quanto para as pessoas e garante que o resgate e a destinação sejam realizados de forma técnica e responsável”, afirmou.

O resgate foi considerado atípico pelas equipes técnicas, tanto pelo local de difícil acesso quanto pelo comportamento do animal. De acordo com o biólogo da Gerência de Fauna do Ipaam, Gilson Tavernard, a operação seguiu protocolos específicos para garantir a segurança do primata e das equipes envolvidas.

“Foi um resgate incomum, em uma área de difícil acesso, com cerca de oito quilômetros de ramal. O animal já apresentava comportamento dócil e estava habituado ao contato com pessoas, o que indica possível criação em cativeiro. Após o resgate, ele é encaminhado ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), onde passa por avaliação clínica e período de quarentena, para que, havendo condições, possa ser reintegrado ao seu habitat natural”, explicou o biólogo.

Após o resgate, o animal foi encaminhado ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), onde passa por avaliação veterinária e comportamental. O período de quarentena é fundamental para verificar possíveis doenças, sinais de domesticação e a viabilidade de retorno à natureza.

O macaco-barrigudo é um primata típico da Amazônia e desempenha papel essencial na dispersão de sementes, contribuindo diretamente para a regeneração das florestas. A captura ilegal e a perda de habitat estão entre as principais ameaças à espécie, que sofre impactos tanto ecológicos quanto comportamentais quando retirada do ambiente natural.

Especialistas alertam que a domesticação de animais silvestres não apenas configura crime ambiental, como também prejudica a biodiversidade e reduz as chances de reintegração desses animais ao seu habitat. O caso reforça a importância de ações de fiscalização, educação ambiental e participação da sociedade na proteção da fauna amazônica.

Como acionar o resgate

O Ipaam orienta que, ao identificar animais silvestres em áreas urbanas, a população não realize a captura ou manipulação. O resgate deve ser solicitado à Gerência de Fauna, por meio do WhatsApp (92) 98438-7964, de segunda a sexta-feira, das 8h às 14h, com o envio de informações e a localização do animal.

By emprezaz

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