Por Redação Planeta Amazônia
Um estudo desenvolvido pela Universidade Federal do Acre (Ufac), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Acre (Fapac), aponta que sistemas agroflorestais têm potencial significativo para recuperar a biodiversidade em áreas degradadas da Amazônia. A pesquisa foi realizada na Reserva Extrativista Chico Mendes e analisou diferentes tipos de uso do solo, com foco nas comunidades de formigas, consideradas bioindicadoras ambientais.
O levantamento comparou áreas de floresta primária, pastagens, agricultura itinerante e sistemas agroflorestais em diferentes estágios de desenvolvimento. Os resultados mostram que, embora as florestas preservadas ainda apresentem maior biodiversidade, sistemas agroflorestais mais antigos já alcançam níveis intermediários, evidenciando sua capacidade de regeneração ambiental.
A pesquisa também identificou que a idade desses sistemas é um fator determinante. Ambientes mais maduros apresentam maior diversidade de espécies e composição mais próxima da floresta nativa, enquanto áreas mais recentes ainda se assemelham a ambientes degradados, como pastagens.
Outro resultado relevante foi o registro de 21 novas ocorrências de espécies de formigas no Acre, ampliando o conhecimento científico sobre a biodiversidade local e reforçando a importância do estado como área de pesquisa na Amazônia.
Além disso, os pesquisadores observaram que áreas com maior intervenção humana tendem a concentrar espécies adaptadas a ambientes abertos, enquanto espécies típicas de florestas são mais frequentes em áreas preservadas ou em sistemas agroflorestais mais desenvolvidos.

O presidente da Fapac, Reyson Barros, destacou a relevância dos investimentos em ciência para o estado. “O investimento em ciência, tecnologia e inovação é fundamental para o desenvolvimento do Acre. A Fapac executa essa visão”, afirmou.
A coordenadora do Programa Amazônia+10, Jussara Brito, também ressaltou o papel estratégico da pesquisa. “A pesquisa fortalece o protagonismo do Acre na construção de uma bioeconomia sustentável. A ciência é essencial para orientar políticas públicas e valorizar nossa biodiversidade”, disse.
Os resultados do estudo ganharam repercussão internacional ao serem publicados na revista científica Biodiversity and Conservation, evidenciando a relevância do tema no debate global sobre mudanças climáticas e conservação da Amazônia.
O avanço das pesquisas em sistemas agroflorestais reforça uma tendência crescente na região: a busca por modelos produtivos que conciliem recuperação ambiental e geração de renda. Nesse contexto, a ciência se consolida como base estratégica para orientar políticas públicas e fortalecer a bioeconomia na Amazônia.

