Pré-COP em Brasília reúne governos para avançar em temas-chave da conferência

Redação Planeta Amazônia

Brasília recebe nos dias 13 e 14 de outubro a Pré-COP, reunião preparatória para a COP30 que reúne mais de 600 representantes de cerca de 65 países para discutir os temas-chave da conferência do clima no próximo mês, em Belém.

André Guimarães, diretor executivo do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), integra o evento como enviado especial da presidência da COP30 para a sociedade civil.


“É um momento oportuno para discutir, aparar arestas e definir prioridades para que a gente chegue em Belém com decisões encaminhadas. Para nós, enviados, é uma oportunidade de poder trazer um pouco do que ouvimos da sociedade, do setor privado, dos governos subnacionais etc, para contribuir com essa preparação para a COP30”, comentou.


O vice-presidente Geraldo Alckmin abriu o evento lembrando os três objetivos principais da presidência brasileira na COP30: reforçar o multilateralismo, conectar o regime climático à vida real das pessoas e acelerar a implementação do Acordo de Paris.


“O esforço coletivo de cooperação entre os povos deve ser canalizado aqui nas negociações da COP e concentrado nas NDCs [contribuições nacionalmente determinadas], com a apresentação, pelos governos, de NDCS alinhadas aos objetivos do Acordo de Paris. A NDC do Brasil, que tive a honra de anunciar no ano passado, na COP29, em Baku, traz a nova visão do país para 2030: um país que reconhece a crise climática e desenha um roteiro de baixo carbono para sua sociedade, sua economia e seus ecossistemas”. E concluiu: “O Brasil chega à COP como um país que acredita que ética, inovação e sustentabilidade não são caminhos paralelos, mas o mesmo caminho, o caminho da responsabilidade compartilhada pelo futuro comum da humanidade”.


Simon Steil, secretário da UNFCCC (Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima), frisou a necessidade de união para fazer frente às mudanças climáticas:


“A COP30 vem em um momento crítico: momento de olhar para a frente. Primeiro, precisamos mandar uma mensagem clara de que o mundo está unido contra as mudanças climáticas e que todos os países seguirão juntos. Segundo, precisamos acelerar a reabilitação; precisamos aumentar a implementação de medidas de adaptação que beneficiem bilhões. Temos que mostrar para todos quais os benefícios da sustentabilidade e como eles podem ser atingidos: mais trabalho, segurança, saúde e crescimento econômico. O diferencial não é quão fortes são seus posicionamentos, mas quão efetivamente você pode implementar a mudança”, afirmou.


Marina Silva, ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, abordou o Balanço Ético Global e a transição justa.


“A ética não pode ser vista como um recurso retórico do debate climático. O Balanço Ético Global reconhece a transição necessária e respeita as particularidades de cada território. Ao longo dos últimos meses, mobilizou debates em todos os continentes e foram realizados 46 balanços éticos autogestionados em 15 países. Como assegurar que a transição seja justa? Como fornecer meios de implementação nos países em desenvolvimento?” perguntou.

“As mudanças climáticas não nos dão o tempo que as mudanças culturais geralmente exigem. O Balanço Ético Global é, acima de tudo, um convite à esperança e nos lembra que a ação climática só será eficaz se também for ética. Não haverá liderança global sem liderança moral. Que a COP seja a líder do grande mutirão e dos resultados até aqui encontrados. A COP30 será o lastro para novos caminhos e novas maneiras de caminhar”, concluiu a ministra Marina Silva.

Fernando Haddad, ministro da Fazenda e líder do Círculo dos Ministros das Finanças, relatou o trabalho em mais de 25 consultas formais que resultaram em contribuições para a governança do financiamento climático. Ao todo, foram mais de 1200 sugestões dos países. Mencionou, também, a criação do TFFF (Fundo Florestas Tropicais para Sempre).

“O TFFF propõe um novo modelo de financiamento baseado em investimento, não só em doações”, disse. O ministro citou como iniciativas estratégicas, ainda, o mercado de carbono voltado para a interoperabilidade dos mercados regulados e a Super Taxonomia para orientar investimentos.

Sônia Guajajara, ministra dos Povos Indígenas, ressaltou o Círculo dos Povos como uma inovação da presidência brasileira. “Nós também somos parte da resposta, também por isso o Círculo dos Povos é uma inovação importante. Para que possamos também trazer soluções que reconheçam os territórios como sumidouros de carbono e, portanto, que as políticas de proteção destes territórios, sejam políticas climáticas”.


A participação de povos indígenas na COP30 será a maior da história das COPs, segundo o governo brasileiro. A ministra citou que mais de três mil representantes de povos originários do mundo devem estar presentes na reunião em Belém, sendo que ao menos mil deles devem participar das negociações oficiais dentro da Zona Azul.

By emprezaz

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