O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, defendeu o fortalecimento das políticas públicas de crédito ao pequeno produtor rural como condição para ampliar a participação do Acre no comércio exterior. Em entrevista concedida às plataformas digitais ac24horas e ac24agro, Viana destacou o café robusta amazônico como uma das apostas estratégicas para diversificar e expandir as exportações do estado.
Durante a entrevista, Viana contextualizou o desempenho recorde das exportações brasileiras em 2025, que somaram US$ 348,7 bilhões, mesmo em um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas, barreiras tarifárias e queda nos preços das commodities. Segundo ele, o resultado reflete a retomada da diplomacia presidencial e a articulação entre governo federal, estados e setor produtivo, sob a condução do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O presidente ressaltou o papel das missões presidenciais organizadas pela ApexBrasil como instrumento de política comercial. Ao todo, foram 24 missões internacionais, com a participação de cerca de 8 mil empresários, responsáveis pela abertura de mais de 500 mercados para produtos brasileiros. Para ele, a estratégia contribuiu para que o fluxo de comércio exterior do Brasil crescesse 5,7%, mais que o dobro da média mundial no período..
Acre registra desempenho histórico
Ao tratar especificamente do Acre, o presidente da ApexBrasil destacou que o estado registrou mais de R$ 500 milhões em exportações em 2025, um resultado histórico. O fluxo de comércio exterior alcançou cerca de US$ 104 milhões, com superávit de US$ 93,7 milhões, recursos que, segundo ele, impactam diretamente a economia local.

Jorge Viana durante entrevista sobre políticas públicas de crédito rural e exportações do Acre.
Crédito como eixo da política pública
Apesar dos avanços, Viana alertou para os desafios de transformar o crescimento das exportações em distribuição de renda. Para isso, defendeu o fortalecimento de políticas públicas de crédito e financiamento, especialmente voltadas aos pequenos produtores de café, cacau e açaí.
“Hoje ainda é difícil para um pequeno produtor acessar crédito para implantar áreas irrigadas ou ampliar a produção. Isso precisa mudar com articulação entre governos, bancos e cooperativas”, afirmou. Como exemplo, citou o modelo adotado no projeto Dom Porquito, no qual o Banco da Amazônia financia produtores com a empresa atuando como avalista — estrutura que, segundo ele, pode ser replicada para outras cadeias produtivas.
Café como nova fronteira de exportação
O gestor destacou que, além da soja e das cadeias já consolidadas, o café robusta amazônico surge como nova fronteira para as exportações acreanas. A expectativa, segundo ele, é que o produto alcance entre US$ 2 milhões e US$ 5 milhões em exportações nos próximos ciclos, desde que haja apoio técnico, crédito e articulação institucional.
“Exportar é papel da Apex, mas produzir exige políticas públicas locais estruturadas”, resumiu. Para o dirigente, com planejamento e coordenação entre os entes federativos, o Acre pode alcançar R$ 1 bilhão em exportações nos próximos anos

