O público visitante do Bosque da Ciência, espaço aberto e gratuito do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), marcou presença nesta sexta-feira (9), na abertura da exposição fotográfica “Amazônia a olhos vistos”, e considerou importante para conscientizar a comunidade sobre as questões ambientais, mostrando tanto a beleza da Amazônia quanto os impactos das ações humanas. A mostra inédita no parque é desenvolvida pela Rede Bioamazonia, e deverá ficar disponível aos visitantes durante o ano de 2026.
Durante a abertura, o diretor do Inpa, Henrique Pereira, destacou que o momento é singular, pois a Rede reúne os principais institutos científicos da Pan-Amazônia, uma iniciativa inédita que busca integrar os esforços de pesquisa na região, com dois anos de trabalho preparatório.
O diretor lembrou que a ideia da exposição surgiu em preparação para a COP30, apresentando duas coleções de imagens, sendo que uma retrata as ameaças à biodiversidade e aos ecossistemas da Pan-Amazônia e a outra coleção renova a esperança ao mostrar soluções científicas . “São imagens que mostram soluções baseadas em ciência para enfrentar essas ameaças”, completou Henrique.
Com olhos atentos, o visitante acompanhou as imagens expostas na “Ilha da Tanimbuca”, um dos espaços atrativos do Bosque, captadas por fotógrafos membros da Rede, com curadoria de João Valsecchi do Amaral e Miguel Monteiro, do Instituto Mamirauá. As fotografias retratam os impactos das mudanças climáticas e das atividades humanas sobre os ecossistemas, a biodiversidade e as comunidades tradicionais da região amazônica, propondo uma reflexão sobre as crescentes ameaças à Amazônia e as soluções voltadas à proteção desse importante bioma.
Pela primeira vez em Manaus, a advogada e paulistana Angélica Santos, também conferiu a exposição ressaltando que a mostra se torna importante pela conscientização do público em relação à importância da floresta, a sua exuberância, a sua magnitude e o que a ação do homem pode fazer de nefasto no meio ambiente. “As pessoas querem saber aquilo que é a biodiversidade do nosso país. A Amazônia, vista por pessoas do mundo todo, deveria ser mais visitada também por pessoas do próprio Brasil”, acrescentou a advogada.
Para o estudante de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Robertson Cambriai, a exposição é crucial para aproximar a comunidade das questões da natureza, mostrando a vida dos povos originários e os impactos das mudanças climáticas, além de trazer conhecimento sobre a biodiversidade e os impactos ambientais, permitindo que as pessoas vejam e debatam essas questões.
“O Inpa é fundamental com os laboratórios de pesquisa, promovendo a ciência e buscando soluções para crises ambientais, beneficiando tanto o meio ambiente quanto as comunidades tradicionais”, reforçou o estudante.
As imagens também foram expostas durante o evento da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), realizada em novembro, em Belém (PA), no Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi, onde registrou visitação expressiva nas duas semanas da programação paralela da Conferência do Clima.
Sobre a Rede Bioamazonia
A Rede Bioamazonia é um instrumento regional com a missão de fortalecer a cooperação transfronteiriça, integrar capacidades de pesquisa e inovação em biodiversidade e estimular a bioeconomia amazônica como alternativa ao modelo extrativista convencional.
Criada em 2024, a iniciativa surgiu diante de um contexto global marcado por múltiplas crises e mudanças aceleradas que vêm alterando drasticamente as condições de vida no planeta, em especial na Amazônia.
Entidades como o Instituto de Pesquisa de Recursos Biológicos Alexander Von Humboldt (Humboldt) – Colômbia; o Instituto Amazônico de Pesquisas Científicas SINCHI (SINCHI) – Colômbia; o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (Instituto Mamiraruá) – Brasil; o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) – Brasil; o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) – Brasil; o Instituto de Pesquisas da Amazônia Peruana (IIAP) – Peru; o Instituto Nacional de Biodiversidade (InaBio) – Equador e o Instituto de Ecologia da Universidade Mayor de San Andrés (IE/UMSA) – Bolívia são membros da Rede.

