Por Redação Planeta Amazônia
O governo do Acre iniciou uma articulação para retomar o pagamento da subvenção econômica destinada às cadeias produtivas da borracha e do murumuru, em uma estratégia que busca fortalecer o extrativismo e ampliar a geração de renda no interior do estado. A ação é conduzida pela Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri), em parceria com o Programa REM.
As atividades ocorreram ao longo da semana em municípios do Vale do Juruá, como Marechal Thaumaturgo, Porto Walter, Rodrigues Alves e Tarauacá, com foco na organização da cadeia produtiva e na preparação para a retomada do benefício, previsto na legislação estadual. A estimativa é de que mais de 500 produtores sejam contemplados.
Além da retomada do pagamento, o governo também trabalha na atualização dos mecanismos de gestão da política pública, incluindo a quitação de valores em atraso e a implementação de um modelo mais moderno de acompanhamento dos incentivos. Durante agenda em Rodrigues Alves, representantes da Seagri dialogaram com cooperativas locais, como a Coopercintra, que atua tanto na produção de borracha quanto na comercialização do óleo de murumuru.
O chefe do Departamento de Produção Familiar, Josicley Azevedo, destacou que a iniciativa busca estruturar melhor a cadeia produtiva. “Nosso objetivo é organizar e aprofundar o entendimento sobre a cadeia produtiva da borracha e do murumuru, preparando o retorno do pagamento da subvenção da borracha, uma política pública que beneficia diretamente os produtores”, afirmou.
O planejamento do governo prevê que o pagamento da safra de murumuru 2024/2025 seja realizado ainda no primeiro semestre deste ano. Além disso, a expectativa é concluir os pagamentos das safras de 2026 tanto da borracha quanto do murumuru, garantindo maior previsibilidade e segurança econômica aos produtores.
A secretária de Agricultura, Temyllis Silva, ressaltou a relevância histórica e econômica da atividade extrativista para o estado. “Não é de hoje que essa produção desempenha um papel importante no nosso estado. É fundamental reconhecer a história da borracha no Acre. Fortalecer essas cadeias produtivas por meio da subvenção é reconhecer a importância do murumuru para a nossa economia, além de garantir renda aos produtores que mantêm essa atividade”, afirmou.
A retomada da subvenção ocorre em um contexto mais amplo de valorização da bioeconomia amazônica, em que produtos florestais ganham protagonismo como alternativa ao desmatamento e como fonte de renda sustentável para comunidades rurais e tradicionais.
Especialistas apontam que políticas de incentivo direto, como a subvenção, têm papel estratégico para manter a viabilidade econômica do extrativismo, especialmente em regiões onde o acesso a mercado e infraestrutura ainda é limitado. Ao mesmo tempo, destacam que a continuidade e a regularidade desses pagamentos são fundamentais para garantir a confiança dos produtores e a consolidação das cadeias produtivas.

