Redação Planeta Amazônia
Após três anos de atividades, organizações signatárias da iniciativa IFACC – Inovação Financeira para Amazônia, Cerrado e Chaco, lançaram 17 produtos financeiros inovadores que apoiam modelos de produção sustentáveis de soja, pecuária e produtos florestais não madeireiros na Amazônia e no Cerrado, e que totalizam investimentos de quase US$500 milhões, gerando um impacto significativo em aproximadamente 400 mil hectares. Deste total, o valor desembolsado somente em 2024 foi de US$ 244 milhões, conforme reportado no último relatório anual que compila os resultados do ano de 2024 do IFACC.
A iniciativa, lançada em 2021, na COP26, que ocorreu em Glasgow, na Escócia, é fruto de uma parceria entre The Nature Conservancy (TNC), Tropical Forest Alliance (TFA) e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Os produtos desenvolvidos incluem empréstimos de longo prazo para recuperar terras degradadas para produção de carne bovina e soja; apoio financeiro para proteger áreas de excedente de Reserva Legal; além de produtos específicos para financiar a produção agroflorestal e manejo sustentável de produtos florestais não madeireiros.
Dos US$ 499 milhões desembolsados para apoiar a agricultura sustentável, a maior parte foi destinada ao Cerrado, bioma mais degradado do país, somando cerca de 97% dos recursos. Deste total, praticamente todo o recurso foi destinado à produção de soja livre de desmatamento. Os 3% restantes, foram investidos em iniciativas na Amazônia, voltadas para a bioeconomia.
“O relatório destaca bons exemplos de mecanismos financeiros inovadores que apoiam a produção de commodities livres de desmatamento. O ano de 2024 foi um período desafiador para estruturação de produtos focados em agricultura e pecuária, principalmente levando em conta o aumento de custos de produção, elevações nas taxas de juros e a ocorrência de eventos climáticos adversos, intensificados pelo El Niño. Ainda assim, os signatários do IFACC conseguiram contornar essas questões e tivemos um volume expressivo de novos produtos e desembolsos. Destaca-se o relevante crescimento dos investimentos em projetos ligados a sistemas agroflorestais e produtos florestais não madeireiros, que totalizam 8 dos 17 produtos apresentados no relatório”, comenta o Gerente de finanças agrícolas da The Nature Conservancy (TNC) Brasil, Marcos Gambi.
Trazendo uma perspectiva para o futuro, o material destaca a importância do Brasil na mobilização da agenda de produção sustentável a partir da COP30, em Belém. Além disso, também reforça a necessidade de compromisso com a implementação políticas públicas como o Plano de Transformação Ecológica apoiado por estratégias como o Plano Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas – PNCPD. Por fim, o documento chama a atenção para a implementação dos compromissos corporativos das empresas da cadeia de valor, como traders e frigoríficos.
“Com a expansão da população mundial, que deve crescer até 8,5 bi de pessoas até 2030 segundo estimativas da ONU, também é esperado um crescimento na demanda por produtos agrícolas, em especial carne bovina e grãos. Por isso, a adoção de modelos de produção mais sustentáveis e resilientes torna-se fundamental. Como uma resposta a esse cenário, IFACC reforça o seu compromisso de buscar dar escala a soluções que resultem em impacto positivo”, finaliza Gambi.
O IFACC conta com 24 signatários de perfis diversos, que desenvolvem seus próprios produtos, e que tem o objetivo de promover empréstimos e investimentos para o uso sustentável da terra. Entre eles, grandes instituições financeiras e empresas da cadeia de valor como ItaúBBA, Santander e Syngenta, gestoras de ativos financeiros como o Sustainable Investment Management – SIM e Vox, securitizadoras como OPEA e Vert e empresas implementadoras e operadoras como Belterra e Violet. Em 2024 o IFACC também recebeu seu primeiro signatário na Argentina. a gestora Sumatoria, com atuação focada no Gran Chaco.