Por Redação Planeta Amazônia
O Acre registrou resultados acima da meta no controle do desmatamento durante o ano florestal de 2024–2025, segundo dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O estado conseguiu reduzir a área desmatada para cerca de 320 km², superando em 43% a meta estabelecida pelo Plano de Prevenção, Controle do Desmatamento e Queimadas do Acre (PPCDQ).
A meta prevista pelo plano era de aproximadamente 572 km², o que representa uma redução de 252 km² em relação ao limite estabelecido, resultado atribuído ao fortalecimento das políticas públicas de conservação ambiental e à implementação de estratégias integradas de monitoramento e fiscalização.

Com o objetivo de ampliar os resultados alcançados e seguir avançando na redução do desmatamento em 2026, o governo do Acre deflagrou a Operação Amburana. Foto: cedida
Segundo o secretário de Meio Ambiente do Acre, Leonardo Carvalho, o desempenho está ligado à combinação de monitoramento por satélite, integração institucional e presença das equipes em campo.
“Estamos trabalhando com inteligência, dados em tempo real e integração entre as instituições. Essa atuação coordenada é fundamental para reduzir o desmatamento e garantir que o estado avance em um modelo de desenvolvimento sustentável”, afirmou.
Operação Amburana intensifica combate ao desmatamento
Para ampliar os resultados e fortalecer as ações em 2026, o governo estadual lançou a Operação Amburana, coordenada pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) em parceria com o Batalhão de Policiamento Ambiental (BPA), o Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) e o Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac).
A operação atua diretamente em áreas identificadas por alertas de desmatamento gerados por satélites, além de denúncias encaminhadas por órgãos de controle e pelo Ministério Público.

Na primeira fase, as equipes fiscalizam 242 áreas com alertas de desmatamento distribuídas em cinco regionais do estado, muitas delas localizadas em áreas de difícil acesso. As ações contam com aproximadamente 30 agentes, duas aeronaves e dez veículos, que apoiam a fiscalização terrestre e aérea.
Resultados iniciais da fiscalização
Nos primeiros sete dias de operação, foram fiscalizados 94 alertas de desmatamento, resultando no embargo de 684,6 hectares, apreensão de 24 metros cúbicos de madeira ilegal e aplicação de cerca de R$ 3,4 milhões em multas ambientais.
As ações ocorreram em diferentes regiões do estado. No Vale do Juruá, a fiscalização aérea priorizou municípios como Cruzeiro do Sul, Rodrigues Alves, Porto Walter, Marechal Thaumaturgo e Mâncio Lima. Já nas regionais Purus e Tarauacá-Envira, as equipes atuaram em cidades como Sena Madureira, Manoel Urbano e Feijó, além de municípios do Alto e Baixo Acre, como Rio Branco, Bujari, Porto Acre e Capixaba.
Monitoramento tecnológico e regularização ambiental
As operações são orientadas por dados de sistemas federais de monitoramento, como DETER e Prodes, que permitem identificar áreas de desmatamento quase em tempo real e direcionar as ações de fiscalização.
Paralelamente às ações de combate a crimes ambientais, o governo estadual também tem ampliado as oportunidades de regularização ambiental por meio do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e do Programa de Regularização Ambiental (PRA), permitindo que produtores rurais adequem suas propriedades à legislação ambiental.
Segundo o governo, o conjunto de medidas reforça a estratégia de consolidar um modelo de desenvolvimento que combine proteção das florestas, fiscalização ambiental e produção sustentável, mantendo o estado elegível para financiamentos climáticos e programas internacionais voltados à conservação da Amazônia.

