Redaçao Planeta Amazônia
A região das Matas de Rondônia tem se consolidado como um dos principais polos de produção de café especial no Brasil, reunindo alta produtividade, sustentabilidade e protagonismo da agricultura familiar. Responsável por cerca de 75% da produção estadual, a região contribui para que Rondônia ocupe o 1º lugar na produção de café da Região Norte e o 5º no ranking nacional.

O Robustas Amazônico é um café mais encorpado, doce, com sabor achocolatado e frutado, com toque de caramelo e floral
O café produzido na região é da espécie canéfora, conhecido como “Robustas Amazônicos”, caracterizado por sabor encorpado, com notas achocolatadas, frutadas e toques de caramelo e floral. Esse perfil sensorial está diretamente ligado ao chamado “terroir amazônico”, que reflete as condições ambientais únicas da região, conforme descrito na página 2 do material.
A produção se destaca não apenas pela qualidade, mas também pelo modelo sustentável. Um estudo da Embrapa aponta que apenas 0,8% da área das Matas de Rondônia é ocupada por cafezais, enquanto mais da metade permanece coberta por floresta nativa, incluindo áreas em territórios indígenas.
Além disso, as lavouras de café apresentam saldo positivo de carbono, sequestrando mais CO₂ do que emitem. Segundo dados apresentados na página 5, esse equilíbrio ambiental reforça o papel da cafeicultura como aliada na mitigação das mudanças climáticas e na conservação da Amazônia.

A cafeicultura na região Matas de Rondônia destaca-se como um modelo sustentável de produção familiar e aliada ao clima
No campo produtivo, Rondônia também alcançou um marco relevante. De acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o estado registrou a maior produtividade média de café do país em 2026, com 63,6 sacas por hectare — desempenho superior a estados tradicionais como Espírito Santo e Bahia.

Rondônia consolidou a melhor produtividade de café no país, atingindo a marca histórica de 63,6 sacas por hectare na safra de 2026
O governador Marcos Rocha destacou a importância das políticas públicas no avanço do setor. “O que o governo de Rondônia faz é dar a mão para quem trabalha na terra por meio de diversas políticas públicas. […] traz a combinação perfeita da dedicação de uma gente trabalhadora e o cuidado com a floresta amazônica”, afirmou.
O secretário de Agricultura, Luiz Paulo, também ressaltou o impacto socioeconômico da atividade. “Esse café único de Rondônia vem da agricultura familiar, são mais de 17 mil famílias produtoras […]. Relevante em volume, qualidade e sustentabilidade, este cultivo contribui para a conservação da Amazônia”, disse.
A cafeicultura rondoniense tem ainda forte presença em comunidades indígenas, com destaque para o povo Paiter Suruí, que alcançou reconhecimento internacional ao produzir um café com pontuação máxima em concurso especializado. A produção, segundo o próprio cacique Rafael Suruí, alia preservação ambiental, protagonismo indígena e qualidade.

Propriedades dos Bento destaca-se na Rota Turística do Café na Matas de Rondônia
O avanço do setor também se reflete no mercado. Dados da Secretaria de Desenvolvimento Econômico indicam crescimento expressivo nas exportações, que saltaram mais de cinco vezes entre 2023 e 2024, ampliando a presença do café rondoniense no cenário internacional.
Para especialistas, o modelo desenvolvido nas Matas de Rondônia representa uma síntese de tendências da nova economia amazônica: produção de alto valor agregado, uso intensivo de tecnologia, protagonismo de pequenos produtores e integração com a conservação ambiental.
Fotos: Daiane Mendonça/Frank Néry/Ésio Mendes/Jessica Ocampo/Irene Mendes

