Capacitação em geologia fortalece turismo sustentável e qualificação de condutores na Serra das Andorinhas

Um grupo de 38 condutores de trilhas do Parque Estadual Serra dos Martírios/Andorinhas, no sudeste do Pará, participou de uma capacitação em geologia interpretativa voltada ao fortalecimento do turismo sustentável e à qualificação da experiência dos visitantes. A iniciativa foi promovida pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-Bio).

Realizado ao longo de dois dias, o treinamento combinou teoria e prática para aprofundar o conhecimento dos profissionais sobre as formações rochosas da região — um dos principais atrativos do parque — e aprimorar a forma como esse conteúdo é transmitido ao público.

A formação foi conduzida pela geóloga e geógrafa Valéria Nascimento, que destacou a importância de integrar conhecimento científico à mediação turística. “É muito legal os guias terem esse conhecimento geológico para que possam repassar às pessoas […] com uma linguagem mais adequada e mais científica”, afirmou.

Mais do que um curso técnico, a capacitação se insere em uma estratégia mais ampla de valorização do chamado geoturismo, modalidade que associa turismo, educação ambiental e interpretação da paisagem. Segundo a especialista, compreender a origem das formações, os processos geológicos e a evolução do relevo permite enriquecer a experiência dos visitantes e ampliar a consciência sobre conservação.

“O geoturismo pode ser adequado para aventura, paisagismo e sustentável para a região”, destacou Valéria, ao reforçar que o domínio técnico dos condutores contribui para uma leitura mais qualificada do território.

Conhecimento como ferramenta de conservação

A capacitação também evidencia o papel dos condutores como mediadores entre ciência e sociedade dentro das unidades de conservação. Ao compreender aspectos como idade das rochas, eventos geológicos e formação da paisagem, esses profissionais passam a atuar não apenas como guias, mas como agentes de educação ambiental.

Para os participantes, o impacto é direto na prática cotidiana. O condutor Nilton Ribeiro destacou o aprendizado adquirido: “A experiência foi muito boa e a gente aprendeu muito sobre as rochas”.

Já Carlos da Silva Chagas ressaltou a aplicação prática do conhecimento no turismo local. “Esse curso veio para agregar conhecimento e cada um de nós vamos poder falar com mais propriedade aos visitantes”, afirmou.

Turismo, território e desenvolvimento

A iniciativa ocorre em um contexto em que o Parque Estadual Serra dos Martírios/Andorinhas se consolida como um dos principais destinos de natureza da região, reunindo biodiversidade, formações geológicas antigas, sítios arqueológicos e trilhas de alto valor paisagístico.

Nesse cenário, a qualificação dos condutores é vista como elemento central para alinhar turismo e conservação. A gerente regional do Araguaia, Laís Mercedes, destacou esse papel estratégico. “Foi uma excelente oportunidade para capacitar os nossos condutores de trilha”, afirmou, ao enfatizar a riqueza geológica e arqueológica da unidade.

Ela também reforçou a importância do domínio técnico na relação com os visitantes. “Como eles atuam diretamente com os turistas, é fundamental terem o domínio de falar sobre as rochas […] e a importância delas para as nossas unidades de conservação”, concluiu.

Uma tendência na Amazônia

A ação reflete uma tendência crescente na Amazônia: o uso do conhecimento científico como ferramenta para estruturar atividades econômicas sustentáveis. Ao qualificar profissionais locais e valorizar o patrimônio natural, iniciativas como essa contribuem para fortalecer cadeias ligadas ao turismo de base comunitária e reduzir pressões sobre o território.

Nesse contexto, o geoturismo emerge como um caminho que combina conservação ambiental, geração de renda e valorização cultural — elementos centrais para o desenvolvimento sustentável na região.

By emprezaz

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