A Fundação Nacional de Saúde (Funasa) começará a monitorar a qualidade da água do Rio Doce em 173 pontos distribuídos por 32 municípios de Minas Gerais e Espírito Santo, marcando uma nova etapa no acompanhamento ambiental da bacia atingida pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em 2015.
A iniciativa substitui o trabalho realizado pela Fundação Renova, criada para executar medidas reparatórias após o desastre envolvendo as mineradoras Samarco, Vale e BHP. A fundação foi oficialmente extinta em 2024, após novo acordo firmado entre as empresas e o governo federal.
O rompimento da barragem lançou cerca de 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos no Rio Doce, provocando a morte de 19 pessoas e um dos maiores desastres socioambientais da história do país.
Nova etapa do monitoramento ambiental
A operação será executada por equipes da Funasa com apoio de três Unidades Móveis de Controle da Qualidade da Água para Consumo Humano (UMCQA), distribuídas em rotas entre Minas Gerais e Espírito Santo.
Segundo o presidente da Funasa, Alexandre Motta, o objetivo é garantir continuidade ao acompanhamento da qualidade da água e ampliar a produção de dados sobre a situação da bacia.
As análises incluem parâmetros como cloro, turbidez, pH e presença de microrganismos indicadores de contaminação, incluindo coliformes totais e Escherichia coli.
Saúde pública e segurança hídrica
A medida reforça a relação entre saneamento, vigilância ambiental e saúde pública — áreas historicamente ligadas à atuação da Funasa.
Além do impacto ambiental, o desastre do Rio Doce afetou diretamente o abastecimento de água de municípios da bacia, ampliando preocupações sobre contaminação e segurança hídrica para populações atingidas.
Nesse contexto, o monitoramento contínuo é considerado essencial para identificar riscos sanitários e orientar ações preventivas.
Transição após o fim da Fundação Renova
A entrada da Funasa também simboliza uma mudança institucional no processo de reparação ambiental do desastre de Mariana.
Com o encerramento das atividades da Fundação Renova, órgãos públicos passam a assumir parte das ações antes executadas pela entidade criada pelas mineradoras responsáveis pelo rompimento da barragem.
A campanha “Funasa Presente no Rio Doce” foi viabilizada por meio de acordo firmado entre a fundação e a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS).
Rio Doce ainda sob impactos
Mais de uma década após o desastre, o Rio Doce continua sendo acompanhado por órgãos ambientais e de saúde devido aos impactos persistentes sobre o ecossistema e as populações locais.
Pesquisas e monitoramentos anteriores já apontaram alterações na qualidade da água, presença de metais e efeitos sobre comunidades ribeirinhas, pescadores e sistemas de abastecimento.
A continuidade das análises busca não apenas acompanhar a recuperação ambiental da bacia, mas também garantir transparência e segurança para os municípios atingidos.
Entre reparação e vigilância permanente
A nova fase do monitoramento evidencia que os efeitos do desastre de Mariana permanecem como desafio ambiental e sanitário de longo prazo.
Ao assumir diretamente o controle das análises, o poder público reforça a necessidade de vigilância contínua sobre uma das maiores tragédias ambientais do Brasil — cujos impactos seguem afetando territórios, rios e populações mesmo anos após o rompimento da barragem.

