Emissões de metano do setor de combustíveis fósseis cresceram em 2025, aponta Agência Internacional de Energia

As emissões globais de metano associadas ao setor de combustíveis fósseis aumentaram em 2025 e permaneceram em níveis considerados “muito altos”, segundo relatório da Agência Internacional de Energia (AIE). De acordo com os dados divulgados no estudo Monitoramento Global de Metano, o setor de energia foi responsável pela emissão de 124 milhões de toneladas do gás no ano passado — alta em relação às 121 milhões de toneladas registradas em 2024.

O volume representa cerca de 35% de todas as emissões de metano causadas por atividades humanas, consolidando o setor de petróleo, gás e carvão mineral como um dos principais responsáveis pelo agravamento das mudanças climáticas.

Metano ganha centralidade no debate climático

Embora o dióxido de carbono (CO₂) continue sendo o principal gás de efeito estufa em volume acumulado, o metano passou a ocupar posição estratégica nas discussões climáticas devido ao seu alto potencial de aquecimento no curto prazo.

Especialistas apontam que o metano tem capacidade de aquecer a atmosfera muito mais rapidamente do que o CO₂ nas primeiras décadas após sua emissão, tornando sua redução uma das medidas mais eficazes para desacelerar o aquecimento global no curto prazo.

Vazamentos e queima lideram emissões

Segundo a AIE, grande parte das emissões do setor energético ocorre por vazamentos em operações de petróleo e gás natural, além da queima e liberação direta de gás durante processos industriais.

A China aparece como principal emissora do setor de combustíveis fósseis, seguida por Estados Unidos e Rússia, países que concentram grande parte da produção mundial de energia fóssil.

Além da exploração de petróleo e gás, a mineração de carvão também é apontada como importante fonte de emissão de metano.

Pressão sobre metas climáticas

O aumento das emissões ocorre em um momento de pressão internacional por aceleração da transição energética e redução do uso de combustíveis fósseis.

Nos últimos anos, países e empresas anunciaram compromissos de neutralidade de carbono, mas relatórios internacionais têm apontado dificuldades na redução efetiva das emissões associadas à produção energética.

A própria Agência Internacional de Energia já alertou anteriormente que boa parte das emissões de metano do setor poderia ser reduzida com tecnologias já disponíveis e de baixo custo.

Combustíveis fósseis no centro da crise climática

O crescimento das emissões reforça o papel central do setor energético na crise climática global. A queima de petróleo, carvão e gás natural segue como uma das principais fontes de gases de efeito estufa associadas às atividades humanas.

Além do CO₂ liberado pela combustão, o metano emitido ao longo da cadeia produtiva amplia o impacto climático dos combustíveis fósseis.

Debate sobre transição energética

Os dados divulgados pela AIE também reacendem o debate sobre a velocidade da transição energética global.

Enquanto governos e empresas ampliam investimentos em fontes renováveis, a expansão da produção de petróleo e gás em diferentes regiões do mundo mantém elevada a pressão sobre o clima.

Nesse cenário, especialistas defendem que o controle das emissões de metano se torne prioridade imediata nas políticas climáticas, tanto pela viabilidade técnica quanto pelo potencial de redução rápida do aquecimento global.

Entre crescimento econômico e emergência climática

O avanço das emissões em 2025 evidencia a dificuldade de equilibrar crescimento econômico, demanda energética e metas climáticas globais.

Apesar dos compromissos internacionais de redução de emissões, o relatório mostra que a dependência mundial de combustíveis fósseis continua pressionando os esforços de descarbonização — especialmente em um contexto de expansão do consumo energético global.

By emprezaz

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