O governo do Acre iniciou a implementação do Programa de Resiliência Socioambiental nas Áreas de Proteção Ambiental (APAs) do Igarapé São Francisco e do Lago do Amapá, em Rio Branco. A iniciativa busca integrar conservação ambiental, recuperação de áreas degradadas, segurança hídrica e desenvolvimento sustentável em regiões estratégicas da capital acreana.
Coordenado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), o programa é desenvolvido em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), com financiamento do Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento da Amazônia e apoio do governo do Canadá.
O projeto recebeu investimento de US$ 2,56 milhões — cerca de R$ 12,8 milhões — destinados a ações de adaptação climática, fortalecimento comunitário, bioeconomia e proteção ambiental nas duas áreas protegidas urbanas de Rio Branco.
Programa aposta em adaptação climática e participação comunitária
Segundo o secretário de Meio Ambiente do Acre, Leonardo Carvalho, a iniciativa fortalece uma política ambiental integrada voltada à adaptação das comunidades aos impactos das mudanças climáticas.
“O apoio da ONU, da Unesco e do governo do Canadá demonstra a relevância internacional dessa iniciativa e reforça a confiança na capacidade do Acre desenvolver projetos alinhados à conservação da Amazônia e ao desenvolvimento sustentável”, afirmou o secretário.
O programa prevê atuação conjunta em áreas como restauração florestal, educação ambiental, proteção dos recursos hídricos, fortalecimento da agricultura familiar, turismo de base comunitária e incentivo à bioeconomia.
Além disso, a proposta também inclui capacitações voltadas para mulheres, jovens e lideranças comunitárias, buscando ampliar participação social na gestão ambiental das APAs.
APAs são consideradas estratégicas para Rio Branco
As duas áreas contempladas pelo programa possuem importância ambiental estratégica para a capital acreana.
A APA Lago do Amapá, criada em 2005, sofre pressão relacionada ao desmatamento, queimadas, extração mineral e dragagem de areia no leito do Rio Acre. Já a APA Igarapé São Francisco está ligada a um dos principais cursos d’água urbanos de Rio Branco e enfrenta impactos provocados pela expansão urbana.
Segundo os planos de manejo das unidades, ambas desempenham papel fundamental na preservação dos recursos hídricos, conservação da biodiversidade e mitigação dos impactos ambientais causados pela ocupação humana.
Especialistas apontam que a proteção de áreas verdes urbanas se tornou cada vez mais importante diante do avanço das mudanças climáticas, especialmente em cidades amazônicas vulneráveis a enchentes, queimadas e ilhas de calor.
Segurança hídrica ganha prioridade
Um dos principais eixos do programa envolve segurança hídrica e recuperação ambiental das sub-bacias ligadas ao Rio Acre. As ações incluem reflorestamento, proteção de nascentes, planejamento ambiental e fortalecimento da infraestrutura resiliente das comunidades locais.
A preocupação ocorre em meio aos eventos extremos registrados no Acre nos últimos anos, incluindo enchentes históricas, estiagens severas e aumento das queimadas urbanas e rurais.
Segundo especialistas, preservar áreas de recarga hídrica e vegetação urbana ajuda a reduzir riscos de erosão, melhorar infiltração da água no solo e diminuir impactos das chuvas intensas.
Bioeconomia e turismo sustentável entram na estratégia
Outro eixo importante do programa é o fortalecimento da bioeconomia nas comunidades localizadas dentro das APAs.
As ações incluem incentivo ao extrativismo sustentável, agricultura orgânica familiar, meliponicultura, horticultura e turismo de base comunitária.
A chefe da Divisão de Bioeconomia da Sema, Luciana Rôla, afirmou que o foco do programa é melhorar a qualidade de vida das famílias que vivem nas áreas protegidas por meio de geração de renda sustentável.
Segundo ela, as iniciativas devem apoiar produtores rurais, mulheres e jovens com assistência técnica, capacitações e estímulo ao empreendedorismo ligado à floresta e aos recursos naturais.
Fundo Brasil-ONU fortalece agenda amazônica
O Programa de Resiliência Socioambiental integra uma estratégia maior do Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento da Amazônia, criado em 2023 em parceria entre ONU Brasil, governo federal e Consórcio da Amazônia Legal.
O fundo busca financiar soluções sustentáveis voltadas à segurança climática, hídrica, alimentar e territorial das populações amazônicas, especialmente em áreas vulneráveis.
A primeira grande doação internacional ao fundo foi feita pelo governo do Canadá, que destinou R$ 60 milhões para apoiar projetos ambientais e sociais na Amazônia brasileira.
Acre reforça protagonismo ambiental
A implementação do programa ocorre em um momento em que o Acre busca fortalecer sua atuação internacional nas agendas de clima e conservação da floresta.
Nos últimos anos, o estado ampliou participação em fóruns ambientais ligados à bioeconomia, REDD+, serviços ambientais e desenvolvimento sustentável.
Segundo o diretor de Meio Ambiente da Sema, Erisson Cameli, o programa representa um passo importante na consolidação de políticas públicas integradas para áreas estratégicas de Rio Branco.
Para especialistas, iniciativas desse tipo refletem uma mudança crescente nas políticas climáticas da Amazônia: integrar conservação ambiental, inclusão social, geração de renda e adaptação climática dentro dos próprios territórios urbanos e comunitários.

