Pesquisadora do INPA recebe prêmio internacional por estudo sobre samburá de abelha amazônica sem ferrão

A pesquisadora Kemilla Sarmento Rebelo, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA/MCTI), foi reconhecida internacionalmente por um estudo pioneiro sobre o samburá, um produto produzido por abelhas sem ferrão da Amazônia que começa a despertar interesse da comunidade científica por seu potencial medicinal. A premiação destaca a relevância da pesquisa para o avanço do conhecimento sobre a biodiversidade amazônica e suas possíveis aplicações na saúde humana.

O trabalho investigou as propriedades biológicas do samburá — uma mistura natural de pólen, mel e secreções produzidas pelas abelhas sem ferrão para alimentação das colônias. Embora seja amplamente conhecido por comunidades tradicionais e meliponicultores, o produto ainda é pouco estudado pela ciência quando comparado ao mel ou à própolis.

Pesquisa identifica potencial terapêutico

Os resultados obtidos pela equipe indicam que o samburá apresenta compostos bioativos com potencial para futuras aplicações farmacêuticas. O estudo, de caráter pré-clínico, foi o primeiro a demonstrar esse potencial em uma espécie amazônica de abelha sem ferrão, abrindo caminho para novas pesquisas voltadas ao desenvolvimento de medicamentos e produtos naturais.

Segundo Kemilla Sarmento Rebelo, o reconhecimento internacional representa também uma valorização da ciência produzida na Amazônia e do patrimônio biológico da região.

“Foi o primeiro estudo a revelar esse potencial do samburá das abelhas sem ferrão. Eu me sinto muito honrada com esse reconhecimento”, destacou a pesquisadora.

Abelhas sem ferrão são essenciais para a floresta

Além da importância econômica para comunidades que praticam a meliponicultura, as abelhas sem ferrão exercem papel fundamental na polinização de espécies nativas da Amazônia.

Estima-se que grande parte das plantas da floresta dependa desses insetos para sua reprodução, tornando sua conservação estratégica para a manutenção da biodiversidade e da produção de alimentos. Pesquisas sobre produtos derivados dessas abelhas também reforçam o potencial da bioeconomia amazônica, agregando valor à floresta em pé e incentivando atividades sustentáveis.

Ciência amazônica ganha reconhecimento internacional

A premiação reforça o protagonismo do INPA na produção de conhecimento científico sobre a biodiversidade amazônica e evidencia o potencial de recursos naturais ainda pouco explorados pela ciência.

Para especialistas, estudos como esse demonstram que a conservação da floresta está diretamente relacionada à descoberta de novos compostos com aplicações nas áreas da saúde, alimentação e biotecnologia, fortalecendo a Amazônia como um dos principais centros mundiais de inovação baseada na natureza.

By emprezaz

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