El Niño pode prolongar estiagem e agravar seca no Acre até dezembro, alerta Defesa Civil

O Acre poderá enfrentar uma estiagem mais longa e severa no segundo semestre de 2026 em razão da intensificação do fenômeno El Niño, que tende a reduzir o volume de chuvas e elevar as temperaturas na região. O alerta foi feito pela Defesa Civil Estadual, que já mobiliza órgãos públicos e prefeituras para minimizar os possíveis impactos caso o período seco se estenda até dezembro.

A preocupação das autoridades é que o fenômeno climático se fortaleça justamente entre outubro e novembro, período em que tradicionalmente começam as primeiras chuvas no estado. Se as previsões se confirmarem, a estação chuvosa poderá atrasar, prolongando a seca por mais algumas semanas e aumentando os riscos ambientais e sociais.

Gabinete de crise coordena ações preventivas

Segundo o comandante da Defesa Civil Estadual, coronel Carlos Batista, o Governo do Acre já instalou um gabinete de crise, reunindo diferentes órgãos estaduais e as Defesas Civis municipais para acompanhar os indicadores climáticos e planejar medidas preventivas.

“O gabinete de crise, com todas as instituições do Governo do Estado, já vem se preparando para o El Niño. Estamos realizando várias reuniões envolvendo as Defesas Civis municipais”, afirmou o coronel.

De acordo com Carlos Batista, embora agosto e setembro já sejam naturalmente meses de pouca chuva na região, o cenário preocupa porque os modelos climáticos indicam que o fenômeno poderá ganhar força justamente quando normalmente ocorre a transição para o período chuvoso.

Possibilidade de atraso das chuvas aumenta preocupação

O comandante explica que os principais indicadores apontam para precipitações abaixo da média histórica entre outubro e novembro, o que pode fazer com que a estiagem se prolongue até dezembro.

“A preocupação é porque a tendência é de o El Niño ficar mais intenso nos meses de outubro e novembro. Normalmente, esse é o período em que começam as primeiras chuvas na nossa região. O receio é que a estiagem se prolongue durante outubro, novembro e dezembro”, destacou Carlos Batista.

Caso esse cenário se confirme, o Acre poderá enfrentar um período seco semelhante ao observado em anos recentes, quando rios atingiram níveis historicamente baixos, comunidades ficaram isoladas e aumentaram os registros de queimadas e problemas relacionados ao abastecimento de água.

Menos chuva e temperaturas mais elevadas

Segundo a Defesa Civil, o El Niño provoca alterações na circulação atmosférica que, na Amazônia Ocidental, costumam resultar em redução das chuvas e aumento das temperaturas.

“O El Niño é um fenômeno que, para a nossa região, reduz a quantidade de chuvas, aumenta as temperaturas e favorece um período mais seco. Todos os indicadores apontam que os meses de outubro e novembro poderão registrar precipitações abaixo da média histórica”, explicou o comandante.

A combinação entre calor intenso, baixa umidade e vegetação ressecada também favorece a propagação de incêndios florestais, exigindo maior atenção das autoridades e da população durante a estiagem.

Estado articula apoio com municípios e Governo Federal

Além do monitoramento climático, o governo estadual busca fortalecer a capacidade de resposta diante de uma eventual seca prolongada.

Segundo Carlos Batista, as ações envolvem articulação com as prefeituras e com o Governo Federal para ampliar a estrutura de atendimento às populações que possam ser afetadas.

“Estamos buscando, como Estado, junto aos municípios e ao Governo Federal, fortalecer nossas ações para reduzir os impactos de uma possível estiagem mais prolongada”, afirmou.

Entre as medidas que costumam ser adotadas em períodos críticos estão o monitoramento dos níveis dos rios, planejamento logístico para comunidades isoladas, reforço nas ações de combate aos incêndios florestais e campanhas de conscientização para prevenir queimadas.

Experiência recente reforça necessidade de preparação

Nos últimos anos, o Acre enfrentou eventos extremos relacionados à seca, com redução expressiva do nível dos rios, prejuízos ao transporte fluvial, aumento dos focos de incêndio e deterioração da qualidade do ar devido à fumaça das queimadas.

Especialistas destacam que, embora o comportamento definitivo do El Niño ainda dependa da evolução das condições oceânicas e atmosféricas nos próximos meses, o planejamento antecipado é essencial para reduzir impactos sobre a população, a economia e os ecossistemas amazônicos.

A Defesa Civil reforça que continuará acompanhando os boletins meteorológicos e ajustando as estratégias de prevenção conforme a atualização das previsões climáticas, buscando minimizar os efeitos de uma possível estiagem prolongada no estado.

By emprezaz

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