FAS abre chamadas de até R$ 1,25 milhão para projetos indígenas e turismo comunitário no Amazonas

Iniciativas do Prospera na Floresta vão apoiar projetos de sociobioeconomia em Terras Indígenas e 30 empreendimentos de turismo comunitário; selecionados também poderão receber energia solar e conectividade via satélite

Redação Planeta Amazônia

A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) abriu duas novas frentes de apoio a iniciativas de sociobioeconomia no Amazonas. As chamadas, realizadas por meio do projeto Prospera na Floresta, são direcionadas a projetos desenvolvidos em Terras Indígenas e a empreendimentos de Turismo Sustentável de Base Comunitária (TSBC) instalados em áreas protegidas do estado.

Uma das oportunidades é o edital “Soluções que Vêm do Território”, que disponibilizará até R$ 1,25 milhão para apoiar projetos de sociobioeconomia indígena. A outra selecionará 30 pousadas e restaurantes comunitários, que poderão receber recursos financeiros, equipamentos e soluções de energia e conectividade.

As duas chamadas estão com inscrições abertas e procuram associar geração de renda à conservação da floresta e ao fortalecimento das populações que vivem nos territórios amazônicos.

Projetos indígenas poderão receber até R$ 250 mil

O edital “Soluções que Vêm do Território” selecionará até cinco projetos desenvolvidos em Terras Indígenas do Amazonas.

Cada proposta poderá receber até R$ 250 mil, dentro de um orçamento total de R$ 1,25 milhão, e terá prazo de execução de até 12 meses. As inscrições começaram em 24 de agosto e permanecem abertas até 28 de setembro de 2026.

As propostas deverão contribuir para o fortalecimento da sociobioeconomia, dos modos de vida e das atividades produtivas sustentáveis, além de valorizar a sociobiodiversidade e fortalecer a governança e a gestão sustentável dos territórios.

A chamada também estabelece entre os resultados esperados a ampliação das oportunidades e do protagonismo de mulheres e jovens indígenas.

Iniciativas devem partir dos próprios territórios

A coordenadora do Programa de Protagonismo Indígena da FAS, Rosa dos Anjos, do povo Mura, afirma que a proposta é reconhecer os territórios indígenas não apenas a partir dos problemas que enfrentam, mas também como espaços de conhecimento e inovação.

Segundo ela, o edital procura fortalecer iniciativas concebidas pelos próprios povos indígenas, respeitando conhecimentos, modos de vida e prioridades de cada território, de maneira a ampliar a autonomia das comunidades.

Podem apresentar projetos organizações indígenas formalizadas, com CNPJ ativo e atuação no Amazonas, mas a chamada não se restringe a entidades formalmente constituídas.

Coletivos, grupos e iniciativas indígenas sem formalização também podem participar, desde que comprovem pelo menos cinco anos de atuação comunitária, além de legitimidade e vínculo com o território que será beneficiado.

Os recursos poderão financiar equipamentos, insumos produtivos, infraestrutura coletiva, logística e transporte, capacitação, serviços técnicos, comercialização, comunicação e fortalecimento institucional, entre outras despesas diretamente relacionadas aos projetos.

Outra chamada selecionará 30 empreendimentos de turismo

A segunda iniciativa é voltada ao Turismo Sustentável de Base Comunitária e selecionará 30 empreendimentos no Amazonas.

Podem participar pousadas e restaurantes localizados na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Rio Negro, RDS Puranga Conquista, RDS do Uatumã e Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Negro.

As inscrições estão abertas até 5 de outubro de 2026.

O objetivo é fortalecer negócios comunitários como alternativas de geração de renda, valorização dos territórios e conservação da floresta em pé.

Selecionados poderão receber até R$ 50 mil

Dos 30 empreendimentos escolhidos, 26 receberão capital semente de até R$ 23 mil. Os recursos poderão ser utilizados em estrutura física, equipamentos, materiais e insumos necessários ao funcionamento dos negócios.

Outros quatro empreendimentos considerados mais maduros poderão receber até R$ 50 mil para acelerar suas atividades.

O apoio, entretanto, não será apenas financeiro.

Todos os 30 selecionados receberão um pacote tecnológico composto por sistema fotovoltaico off-grid, conectividade por satélite e equipamento tecnológico.

A estratégia busca enfrentar dois obstáculos importantes para empreendimentos localizados em áreas remotas da Amazônia: a dificuldade de acesso regular à energia elétrica e à internet. A expectativa é melhorar as condições de operação, gestão, comunicação e comercialização dos negócios comunitários.

Turismo como estratégia para manter a floresta em pé

Segundo Wildney Mourão, gerente do programa de empreendedorismo da FAS, o Prospera na Floresta procura conectar geração de renda e conservação territorial por meio do fortalecimento do turismo de base comunitária.

A proposta envolve aprimorar a gestão dos empreendimentos, ampliar o acesso ao mercado e desenvolver uma cultura empreendedora associada à manutenção da floresta.

Podem concorrer empreendimentos liderados por povos indígenas, ribeirinhos, quilombolas e outras populações tradicionais.

Entre os critérios de seleção estão potencial econômico e impacto comunitário, maturidade e viabilidade do negócio, participação de mulheres e jovens, condições técnicas para instalação das estruturas e compromisso com a conservação socioambiental.

Os candidatos também precisam comprovar pelo menos seis meses de atuação como pousada ou restaurante em uma das áreas contempladas e cumprir as exigências jurídicas, fiscais, territoriais e turísticas previstas no edital.

Projeto alcança mais de 20 milhões de hectares

As duas chamadas integram o Prospera na Floresta, projeto executado pela FAS com apoio do Fundo Amazônia, administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O programa busca fortalecer atividades produtivas sustentáveis ligadas à sociobioeconomia e contribuir para a consolidação das áreas protegidas no Amazonas.

A dimensão prevista para o projeto é significativa.

Ao longo de quatro anos, o Prospera na Floresta deverá atuar em 22 áreas protegidas, sob gestão da Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (Sema) e da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).

A área abrangida supera 20 milhões de hectares, com previsão de beneficiar diretamente 11.344 pessoas entre indígenas, ribeirinhos e quilombolas.

As novas chamadas reforçam uma estratégia que vem ganhando espaço nas discussões sobre desenvolvimento amazônico: criar oportunidades econômicas que dependam da conservação da floresta, da valorização da sociobiodiversidade e do protagonismo das populações que vivem nos territórios.

No caso do turismo comunitário, a combinação de investimento financeiro com energia solar e conectividade pode ajudar empreendimentos localizados em áreas remotas a alcançar novos mercados. Já o edital indígena direciona recursos para soluções concebidas dentro dos próprios territórios.

Em ambos os casos, a proposta é fazer da floresta em pé e do conhecimento das comunidades amazônicas elementos centrais da geração de renda.

As inscrições para o edital estão abertas de 24 de agosto a 28 de setembro e devem ser realizadas pela página https://fas-amazonia.org/territorio, onde estão disponíveis o edital completo, anexos, comunicados e informações sobre o processo seletivo.

By emprezaz

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