Nova iniciativa permite o descarte de celulares, notebooks, tablets e outros equipamentos de até 30 quilos, ampliando o acesso à reciclagem e à destinação ambientalmente adequada de resíduos eletrônicos.
Os Correios passaram a oferecer, desde quarta-feira (14), um serviço gratuito de coleta de equipamentos eletroeletrônicos usados em 6.868 agências espalhadas pelo Brasil. A iniciativa foi lançada em comemoração ao Dia Internacional do Lixo Eletrônico e busca facilitar o descarte adequado de aparelhos que já não são utilizados pela população.
O serviço está disponível nas unidades que possuem o Balcão do Cidadão e permite a entrega de equipamentos com peso total de até 30 quilos, sem necessidade de agendamento prévio.
A medida resulta de uma parceria entre os Correios e a empresa Circular Brain, responsável pela Rede Circulare, sistema de logística reversa que encaminha os resíduos para empresas especializadas em reciclagem e destinação ambientalmente adequada.
Saiba quais equipamentos podem ser descartados
A nova modalidade de coleta contempla principalmente aparelhos eletrônicos de pequeno porte, como celulares, notebooks, tablets, fones de ouvido, cabos e acessórios eletrônicos.
Para utilizar o serviço, o cidadão deve reunir os equipamentos em uma caixa aberta, com volume máximo de um metro cúbico, e levá-la a uma agência participante.
No atendimento, um funcionário verifica o conteúdo da embalagem e realiza seu fechamento. O usuário deverá informar nome, CPF, endereço, e-mail e telefone para a emissão de um comprovante de envio.
Pilhas, baterias e lâmpadas não são aceitas nessa modalidade de coleta, devendo ser encaminhadas a pontos específicos de descarte.
Após o recebimento, os materiais são enviados à Rede Circulare, que os direciona a recicladores homologados. Segundo os Correios, todo o processo é rastreado até a destinação final dos resíduos.
Brasil produz 2,4 milhões de toneladas de lixo eletrônico por ano
A ampliação dos pontos de coleta ocorre em meio ao desafio brasileiro de reduzir o descarte inadequado de equipamentos eletrônicos.
Segundo dados de 2022 da Global E-waste Statistics Partnership, divulgados no Monitor Global de Resíduos Eletrônicos de 2024, o Brasil gera aproximadamente 2,4 milhões de toneladas desses resíduos por ano. Desse volume, apenas cerca de 3% são formalmente coletados.
O descarte irregular pode provocar a contaminação do solo e da água, além de representar riscos à saúde humana, dependendo dos componentes presentes nos equipamentos.
Outro problema é o desperdício de materiais que poderiam retornar à cadeia produtiva, como metais, plásticos e outros componentes reutilizáveis.
A reciclagem desses resíduos contribui para reduzir a necessidade de extração de novas matérias-primas e incentiva práticas associadas à economia circular.
Logística reversa é prevista na legislação brasileira
A coleta de equipamentos eletrônicos integra o conceito de logística reversa, mecanismo que permite o retorno de produtos descartados para reaproveitamento, reciclagem ou destinação ambientalmente adequada.
No Brasil, essa responsabilidade está prevista na Política Nacional de Resíduos Sólidos, instituída pela Lei nº 12.305/2010, e regulamentada para eletroeletrônicos domésticos pelo Decreto nº 10.240/2020.
A legislação estabelece obrigações para fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes, incluindo a estruturação de sistemas de recebimento e destinação dos produtos após o consumo.
A parceria com os Correios amplia a infraestrutura disponível para essa finalidade, aproveitando a presença da estatal em municípios de diferentes regiões do país.
Iniciativa pode facilitar descarte em municípios da Amazônia
A ampliação da coleta também pode beneficiar moradores de municípios amazônicos, onde a distância entre localidades e a disponibilidade limitada de serviços especializados representam desafios para a gestão de resíduos.
Com a utilização das agências dos Correios que oferecem o Balcão do Cidadão, a população passa a contar com mais uma alternativa para encaminhar equipamentos eletrônicos sem uso.
Entretanto, é importante verificar se a unidade desejada participa do serviço, já que a coleta não está disponível necessariamente em todas as agências da estatal.
A iniciativa representa uma ampliação dos mecanismos de descarte adequado no país e pode contribuir para reduzir o acúmulo de equipamentos em residências e o encaminhamento desses materiais ao lixo comum.

