O valor da produção agrícola do Acre registrou crescimento de 18,25% em 2025, na comparação com o ano anterior, alcançando aproximadamente R$ 984,5 milhões. Os dados são da Pesquisa da Produção Agrícola Municipal (PAM 2025), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e foram destacados nesta segunda-feira (26) pela Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri).
O resultado evidencia a expansão econômica das principais culturas agrícolas acreanas, impulsionada por mudanças nas cadeias produtivas, investimentos no setor rural e ampliação das atividades de cultivo.
Segundo as informações divulgadas pelo governo estadual, a área colhida considerada no levantamento também apresentou crescimento de 10,6%, alcançando 10.204 hectares em 2025.
A Secretaria de Agricultura atribui parte desse desempenho às ações de fortalecimento da produção rural, incluindo aquisição de máquinas, fornecimento de insumos, incentivo à agricultura familiar e ampliação da assistência aos produtores.
O avanço ocorre em um cenário de desafios relacionados às mudanças climáticas, às dificuldades logísticas e à necessidade de aumentar a produtividade agrícola sem ampliar a pressão sobre os recursos naturais.
Investimentos em tecnologia e mecanização impulsionam agricultura
A Secretaria de Estado de Agricultura tem ampliado iniciativas voltadas à modernização das atividades rurais, com foco no acesso a equipamentos, tecnologias e insumos agrícolas.
De acordo com a secretária Temyllis Silva, os investimentos buscam melhorar as condições de produção e fortalecer as cadeias produtivas que possuem importância econômica para o Acre.
Entre as ações desenvolvidas estão a aquisição de maquinário agrícola, o fornecimento de materiais destinados à produção de hortaliças e o incentivo à produção de mudas de café e cacau.
A gestora destaca que a administração estadual também trabalha para ampliar a presença institucional nas comunidades rurais, aproximando os serviços públicos dos agricultores.
Nesse contexto, foram criadas unidades de atendimento em localidades anteriormente não contempladas, como a comunidade Baixa Verde, além da reativação do núcleo de atendimento do Caquetá.
A estratégia pretende facilitar o acesso dos produtores aos programas de incentivo e permitir que as políticas agrícolas sejam desenvolvidas de acordo com as necessidades de cada região.
Agricultura familiar recebe atenção especial
O fortalecimento da agricultura familiar está entre as prioridades anunciadas pela Secretaria de Agricultura.
Uma das iniciativas destacadas é o Programa Estadual de Compras Governamentais da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Pecafes), que busca ampliar as oportunidades de comercialização dos produtos cultivados por pequenos agricultores.
A proposta permite aproximar a produção familiar das compras realizadas pelo poder público, contribuindo para a geração de renda e a valorização dos alimentos produzidos no estado.
Além disso, a Seagri tem investido no fornecimento de insumos destinados à olericultura, atividade relacionada ao cultivo de hortaliças e outros produtos alimentícios.
Entre os materiais disponibilizados estão lonas e equipamentos que auxiliam os agricultores a enfrentar dificuldades relacionadas às condições climáticas e à infraestrutura produtiva.
A secretária Temyllis Silva ressalta que o diálogo com cooperativas e associações tem sido importante para orientar os investimentos e identificar as principais necessidades das comunidades rurais.
Segundo a gestora, o objetivo é fortalecer atividades como a produção de mel, café, mandioca, hortaliças e cacau, ampliando as possibilidades de geração de renda no campo.
Café, cacau e mandioca estão entre as cadeias produtivas priorizadas
O governo estadual também destaca o fortalecimento de cadeias produtivas consideradas estratégicas para a economia acreana.
A produção de café tem recebido atenção especial, principalmente em razão das oportunidades de comercialização e do crescimento da atividade em diferentes municípios.
O cacau também integra as iniciativas de incentivo, com ações voltadas à aquisição de mudas e ao fortalecimento da produção local.
Já a mandioca permanece como uma das atividades tradicionais da agricultura acreana, com importância econômica e social para numerosas famílias rurais.
A diversificação das culturas é considerada relevante para ampliar as fontes de renda dos produtores e reduzir a dependência econômica de uma única atividade agrícola.
Além dos investimentos em produção, a organização das cadeias produtivas envolve desafios relacionados ao beneficiamento, armazenamento, transporte e acesso aos mercados consumidores.
Nesse cenário, o fortalecimento das cooperativas e associações pode contribuir para ampliar a capacidade de comercialização dos agricultores e agregar valor aos produtos regionais.
Mudanças climáticas exigem adaptação da produção rural
As condições climáticas representam um dos principais desafios enfrentados pela agricultura amazônica.
Períodos de seca intensa, alterações no regime de chuvas e eventos associados ao fenômeno El Niño podem comprometer o desenvolvimento das lavouras e provocar prejuízos econômicos aos produtores.
Segundo a Secretaria de Agricultura, parte das iniciativas estaduais busca ampliar a capacidade de adaptação das atividades rurais a essas condições.
Entre as ações mencionadas estão o Plano de Ação Estadual para Adaptação à Mudança do Clima e Baixa Emissão de Carbono na Agropecuária (Plano ABC+/AC) e programas de apoio à modernização da produção.
A adoção de tecnologias adequadas às características ambientais da região pode contribuir para melhorar a eficiência produtiva e reduzir perdas relacionadas a eventos climáticos.
Entretanto, a expansão da agricultura também exige atenção à conservação do solo, à disponibilidade de recursos hídricos e à proteção da vegetação nativa.
O desafio consiste em conciliar o crescimento econômico do setor com práticas produtivas que garantam a sustentabilidade das atividades no longo prazo.
Produção de grãos também apresenta perspectiva de crescimento em 2026
Além dos resultados consolidados de 2025, estimativas mais recentes do IBGE indicam perspectivas de expansão da produção de grãos no Acre em 2026.
Segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), referente a setembro, a produção estadual de cereais, leguminosas e oleaginosas está estimada em 204,3 mil toneladas neste ano.
O volume representa crescimento previsto de 9,3% em relação às 186,9 mil toneladas registradas em 2025.
A estimativa supera proporcionalmente a expansão nacional projetada para o período, de 2,4%.
A área destinada a essas culturas também deverá aumentar, passando de aproximadamente 62,8 mil hectares para 65,5 mil hectares.
Os números indicam uma perspectiva de crescimento da produção agrícola acreana, embora os resultados de 2026 ainda estejam sujeitos a revisões pelo IBGE.
É importante observar que os indicadores da PAM 2025 e do LSPA 2026 possuem abrangências e metodologias diferentes. O primeiro apresenta informações consolidadas sobre a produção agrícola municipal, enquanto o segundo acompanha estimativas de safra ao longo do ano.
Crescimento agrícola amplia oportunidades e desafios para o Acre
O aumento de 18,25% no valor da produção agrícola em 2025 reforça a importância do setor rural para a economia acreana.
A expansão das atividades produtivas pode contribuir para a geração de empregos, o fortalecimento da agricultura familiar e a ampliação da circulação de recursos nos municípios.
Entretanto, o crescimento do valor monetário da produção não significa, necessariamente, aumento equivalente na quantidade de alimentos produzidos, uma vez que os resultados também podem refletir variações nos preços agrícolas.
Da mesma forma, a ampliação da área colhida exige acompanhamento para avaliar os impactos sobre o uso do solo e a conservação ambiental.
Para os próximos anos, os desafios incluem melhorar a infraestrutura de escoamento, ampliar o acesso à assistência técnica, fortalecer os mecanismos de comercialização e incentivar práticas agrícolas adaptadas às condições da Amazônia.
A continuidade dos investimentos em tecnologia e na organização das cadeias produtivas poderá contribuir para consolidar a agricultura como uma atividade econômica relevante no estado, desde que acompanhada de medidas voltadas à sustentabilidade e à valorização dos produtores rurais.

