Rio Acre sobe, mas seca persiste e reservatórios continuam secando, alerta Defesa Civil

No Acre, o período mais intenso de estiagem começou em julho deste ano. Diante do cenário, equipes da Defesa Civil de Rio Branco iniciaram o monitoramento das condições climáticas e o mapeamento das áreas afetadas, identificando inicialmente um quadro de seca leve. A partir desse levantamento, o coordenador municipal da Defesa Civil, coronel Falcão, deu início à Operação Estiagem, com ações voltadas ao abastecimento de água potável em comunidades rurais e outras localidades atingidas.

De acordo com o coordenador, a situação se agravou em agosto, exigindo a continuidade das medidas preventivas e assistenciais, além do acompanhamento das condições de abastecimento e das atividades produtivas.

“No mês de agosto, a seca se agravou ainda mais, e nós mantivemos o monitoramento de todas as ações preventivas e de resposta às comunidades rurais, como a operação de abastecimento de água, tanto na zona urbana quanto na rural. Esse trabalho foi dividido entre a Defesa Civil e o Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco (Saerb). Na área urbana, a responsabilidade ficou com o Saerb e, na zona rural, com a Defesa Civil. Além disso, fizemos um levantamento das perdas na produção agrícola, das condições das lavouras, do solo, das represas e dos poços. Durante esse acompanhamento, constatamos que os reservatórios estavam secando”, informou Falcão ao ContilNet, nesta quinta-feira (22).

Nos últimos dias de agosto, foram registradas chuvas intensas em algumas localidades. Entretanto, as precipitações ocorreram de forma irregular, muitas vezes concentradas em temporais de curta duração, insuficientes para recuperar a umidade do solo e reverter os efeitos acumulados da estiagem.

Em setembro, o comportamento das chuvas apresentou mudanças, com registros de precipitação que, segundo a Defesa Civil, chegaram a quase o dobro do volume esperado para o período. Apesar disso, a distribuição irregular das águas manteve a preocupação com os impactos da seca.

“No mês de agosto, que tem 31 dias, choveu em apenas seis. Ou seja, foram 25 dias sem chuva. Já setembro apresentou uma situação um pouco diferente. Em outubro, considerando também a chuva registrada na noite do dia 21, contabilizamos aproximadamente 53% a 55% do volume esperado para o mês”, destacou o coordenador.

A previsão de precipitação para outubro é de aproximadamente 150 milímetros. Enquanto Amazonas e Rondônia enfrentam condições severas de estiagem, o Acre tem registrado chuvas isoladas, algumas com volumes expressivos. No entanto, conforme explica o coronel Falcão, esses episódios não significam necessariamente o encerramento do período seco.

“Na contramão desses estados, o Acre tem registrado chuvas isoladas, com grande volume de água. Nós, que trabalhamos diretamente na Operação Estiagem e acompanhamos as condições das comunidades rurais, observamos que ocorrem precipitações intensas, como a registrada recentemente, mas, em seguida, há uma nova redução das chuvas”, ressaltou.

Outro fator acompanhado pelas equipes é a elevação do nível do Rio Acre. Segundo a Defesa Civil, o rio apresentou uma marca elevada para o período, em comparação com os registros dos últimos dez anos. Entretanto, a recuperação temporária do volume de água não significa que os efeitos da estiagem tenham sido superados.

A oscilação está relacionada, entre outros fatores, às chuvas registradas nas regiões que alimentam a bacia hidrográfica, incluindo áreas do Peru, da Bolívia e municípios acreanos localizados a montante de Rio Branco.

Mesmo diante da melhora momentânea das condições hídricas, a Defesa Civil mantém o planejamento de enfrentamento à seca e, simultaneamente, acompanha os riscos associados às chuvas intensas, como enxurradas e alagamentos.

“Mesmo com a melhora das condições climáticas, a ocorrência de chuvas e a elevação do nível do rio, continuamos acompanhando os mapas e as previsões científicas. É melhor estar preparado e não acontecer nada do que não estar preparado e enfrentar uma situação de emergência. Por isso, seguimos com as ações de enfrentamento à seca, às queimadas e ao esgotamento dos recursos hídricos e, ao mesmo tempo, trabalhando na prevenção dos impactos das chuvas intensas, como aconteceu na sexta-feira, quando podemos ter enxurradas, casas e regiões alagadas”, explicou o coronel Falcão.

O monitoramento permanece como uma das principais estratégias do município para acompanhar as mudanças nas condições climáticas e orientar as ações de prevenção e resposta, tanto nas comunidades rurais afetadas pela estiagem quanto nas áreas urbanas mais vulneráveis aos alagamentos.

By emprezaz

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