Medidas incluem retirada preventiva de comerciantes, isolamento de áreas de risco e novos estudos técnicos para identificar as causas da instabilidade no calçadão às margens do Rio Acre.
O avanço do desmoronamento na região do Novo Mercado Velho, um dos espaços mais tradicionais de Rio Branco, levou o Governo do Acre e a Prefeitura da capital a anunciarem, nesta quinta-feira (5), medidas emergenciais para proteger comerciantes, trabalhadores e frequentadores da área. Entre as providências estão a publicação de um decreto de emergência, a retirada preventiva de comerciantes e a interdição de trechos considerados perigosos.
O problema atinge principalmente a área externa do mercado, ao longo do calçadão situado às margens do Rio Acre, onde a movimentação do solo e o agravamento das condições estruturais passaram a exigir intervenções urgentes.
O anúncio foi realizado pela governadora Mailza Assis e pelo prefeito Alysson Bestene, após reuniões com representantes das Defesas Civis estadual e municipal e equipes técnicas responsáveis pelo acompanhamento da região.
Segundo as autoridades, a prioridade é evitar acidentes enquanto são realizados novos estudos para identificar as causas do desmoronamento e definir as medidas necessárias à recuperação da área.
O prédio principal do Novo Mercado Velho não está incluído, neste momento, na determinação de desocupação, mas continuará sendo monitorado pelas equipes responsáveis.
Doze comerciantes estão na área externa afetada
De acordo com a governadora Mailza Assis, aproximadamente 12 comerciantes estão instalados ao longo do trecho externo que apresenta riscos estruturais. Desse total, quatro mantêm atividades diariamente.
A retirada preventiva desses trabalhadores está entre as primeiras medidas anunciadas pelo governo estadual.
A decisão busca impedir que comerciantes e frequentadores permaneçam expostos a possíveis novos desmoronamentos enquanto as equipes técnicas avaliam a extensão dos danos.
Além dos estabelecimentos localizados na área considerada de risco, duas feirinhas instaladas nas proximidades também deverão ser transferidas temporariamente.
Nesse caso, a mudança não ocorre necessariamente por risco estrutural direto aos trabalhadores, mas pela necessidade de liberar espaço para a circulação das equipes e a execução dos serviços emergenciais.
A governadora informou que uma comissão ficará responsável por avaliar as condições de cada comerciante e organizar o processo de transferência.
Entre os locais considerados para receber os trabalhadores estão o Mercado dos Colonos e outros espaços disponíveis na região central, incluindo alternativas na área da Gameleira.
A definição dependerá da análise das necessidades de funcionamento e das condições de adaptação dos empreendimentos.
Prédio principal do mercado permanece sob monitoramento
Apesar do agravamento da situação no calçadão, o governo estadual informou que, até o momento, não há determinação de retirada dos comerciantes que trabalham dentro do prédio principal do Novo Mercado Velho.
Segundo Mailza Assis, as avaliações realizadas indicam que a situação crítica está concentrada na área externa.
A governadora ressaltou, entretanto, que o acompanhamento continuará sendo realizado para identificar eventuais mudanças nas condições estruturais.
A distinção é importante porque as medidas emergenciais anunciadas não representam, neste momento, a interdição completa do mercado.
A prioridade é delimitar os pontos considerados perigosos e restringir a circulação de pessoas nesses locais.
As decisões poderão ser revistas conforme os resultados das avaliações técnicas e a evolução das condições do terreno.
Defesa Civil monitora problema desde 2021
O coordenador da Defesa Civil Municipal, coronel Cláudio Falcão, informou que a situação do Novo Mercado Velho já vinha sendo acompanhada pela Prefeitura de Rio Branco desde 2021.
Entretanto, o avanço recente do desmoronamento tornou necessária a adoção de medidas mais rigorosas de prevenção.
Entre as providências previstas está a delimitação do perímetro de isolamento, que deverá impedir a circulação de pessoas nas áreas com maior risco.
A Defesa Civil também participará da identificação de locais adequados para receber os comerciantes que precisarão deixar temporariamente seus pontos de trabalho.
Segundo Falcão, a preservação de vidas é o principal objetivo da operação.
O trabalho será desenvolvido em conjunto com equipes estaduais, profissionais de engenharia e órgãos municipais responsáveis pelo acompanhamento da região.
A atuação integrada pretende permitir uma resposta mais rápida diante da possibilidade de novos movimentos do solo.
Universidade Federal do Acre deverá participar de estudos técnicos
Uma das medidas anunciadas pelo governo é a busca de apoio técnico-científico da Universidade Federal do Acre (Ufac).
A instituição deverá ser convidada a colaborar com estudos complementares sobre as condições do terreno e da estrutura afetada.
A proposta é contar com uma avaliação independente que ajude a esclarecer as causas do desmoronamento e contribua para a definição das soluções de engenharia.
A empresa responsável pelas obras anteriormente realizadas no local também será formalmente notificada para apresentar esclarecimentos e providências.
Segundo a governadora, a intervenção executada em uma primeira etapa não conseguiu impedir a continuidade do problema.
Por isso, o governo considera necessária uma nova avaliação técnica antes de definir as medidas definitivas de recuperação.
A notificação da empresa, por si só, não representa uma conclusão sobre eventual responsabilidade pelos danos. A identificação das causas e das responsabilidades dependerá das apurações técnicas e administrativas cabíveis.
Marinha poderá colaborar com avaliação da área
A localização do calçadão às margens do Rio Acre também motivou a decisão de envolver a Marinha do Brasil nas discussões.
O trecho é utilizado para circulação de embarcações e atividades relacionadas ao transporte fluvial.
Diante disso, as autoridades pretendem avaliar possíveis impactos das intervenções sobre a navegação e a segurança das pessoas que utilizam o rio.
A participação da Marinha deverá contribuir para orientar decisões relacionadas ao tráfego de embarcações nas proximidades da área afetada.
A medida demonstra que o problema exige uma avaliação que considere não apenas a estabilidade do terreno, mas também a utilização do espaço urbano e do curso d’água.
Prefeitura promete assistência aos comerciantes afetados
O prefeito Alysson Bestene afirmou que a Prefeitura de Rio Branco atuará em conjunto com o governo estadual durante a execução das medidas emergenciais.
A administração municipal deverá mobilizar equipes da Defesa Civil, dos setores responsáveis pelo acompanhamento do mercado e da assistência social.
O objetivo é prestar apoio aos comerciantes que precisarão interromper ou transferir suas atividades em razão das restrições de segurança.
O prefeito destacou que a atuação conjunta entre Estado e Município será fundamental para enfrentar a situação.
As medidas deverão considerar tanto a necessidade de preservar vidas quanto os impactos sobre os trabalhadores que dependem economicamente da região.
A transferência dos pontos comerciais exigirá planejamento para reduzir os prejuízos e permitir a continuidade das atividades em locais considerados seguros.
Recuperação do calçadão ainda não tem prazo definido
Embora as providências emergenciais tenham sido anunciadas nesta quinta-feira, ainda não foi apresentado um cronograma definitivo para a recuperação da área afetada.
Segundo o governo estadual, os prazos dependerão dos estudos técnicos e das avaliações realizadas pela comissão responsável pelo acompanhamento da situação.
A equipe deverá definir a extensão do perímetro de interdição, as etapas de retirada dos comerciantes e as intervenções necessárias para enfrentar a instabilidade do terreno.
O decreto de emergência e a notificação da empresa responsável pelas obras foram anunciados para publicação ainda nesta quinta-feira (5).
A medida busca facilitar a mobilização dos órgãos públicos e a execução das providências consideradas urgentes.
Enquanto as avaliações prosseguem, a recomendação das autoridades é impedir a permanência de pessoas nos trechos identificados como perigosos.
Desmoronamento ameaça área tradicional de Rio Branco
O Novo Mercado Velho ocupa uma posição importante na paisagem urbana e na vida econômica da capital acreana.
Localizado às margens do Rio Acre, o espaço integra uma região de circulação de comerciantes, trabalhadores, moradores e visitantes.
O avanço do desmoronamento representa, portanto, um problema que ultrapassa os danos físicos ao calçadão e alcança a segurança da população e a continuidade das atividades econômicas locais.
A situação também reforça a importância do monitoramento das áreas urbanas próximas aos cursos d’água, especialmente onde existem estruturas sujeitas à movimentação do solo e à erosão das margens.
No caso do Novo Mercado Velho, as autoridades ainda deverão esclarecer, por meio de estudos técnicos, quais fatores contribuíram para o agravamento dos danos.
Até que essas avaliações sejam concluídas, as ações anunciadas pelo Governo do Acre e pela Prefeitura de Rio Branco estarão concentradas na prevenção de acidentes, no isolamento dos pontos críticos e na transferência temporária dos comerciantes afetados.
