Contra as mudanças climáticas, é preciso investir em educação

Por Fernando Beltrame (*)

Você já deve ter presenciado ou participado de uma conversa em que alguém não entendia o que são as mudanças climáticas ou do que se tratava o tão noticiado aquecimento global. Pode ser que até mesmo você tenha suas dúvidas, o que é bastante compreensível. Primeiramente, porque estes temas nem sempre são abordados da maneira como deveriam. Antigamente, inclusive, ouvíamos que alguns recursos naturais eram infinitos, como a água. Os temas ambientais ou de sustentabilidade deveriam ser transversais na rede de ensino. Então, esses são assuntos que podem acabar ficando restritos a especialistas ou pessoas graduadas em áreas relacionadas ao tema. E esse é um grande problema para todos nós.


As crianças deveriam ter contato sobre os desafios que o mundo enfrenta, incluindo as mudanças climáticas e desigualdades sociais. Precisamos promover a conscientização desde cedo e permitir que elas entendam a causa e o impacto das suas atitudes e hábitos de consumo no nosso planeta e na vida de todos.
 

Os adultos têm um papel fundamental e essencial na mudança urgente dos hábitos em sociedade e principalmente na formação das futuras gerações. Claro que muitos destes adultos não conhecimento sobre o tema, mas hoje já é perceptível que algo não anda bem com o nosso planeta.
 

Uma pesquisa divulgada este ano pelo IPEC (Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica) apontou que “apesar da diminuição da proporção em 2022, as questões relacionadas ao meio ambiente ainda preocupam a maioria dos brasileiros. Apenas 22% consideram saber muito sobre aquecimento global e mudanças climáticas e somente 52% dos entrevistados estão preocupados com o meio ambiente atualmente. O interessante é que a maioria desses mesmos entrevistados (90%) afirma ter percebido o aumento de desastres ambientais nos últimos anos.

As pessoas estão enxergando as catástrofes acontecerem, se assustando com queimadas, inundações, altas temperaturas, mas ainda não entendem os motivos que podem estar gerando estes acontecimentos. É preciso saber sobre emissões de gases do efeito estufa, neutralização de carbono, energia e tecnologias limpas, entre tantos outros assuntos, para fazer essa relação. Para isso, o país precisa investir na grade curricular das redes de ensino, principalmente nas escolas públicas, capacitando as crianças para enfrentarem os desafios que podem surgir em suas vidas e prepará-las para tomar decisões responsáveis ​​em relação ao meio ambiente.
 

Fernando Beltrame aposta na educação como aliada da preservação ambiental/foto: Divulgação

As mudanças climáticas envolvem conceitos de cidadania, ciências, matemática, geografia, ética, economia e muito mais. Ensinar os pequenos sobre esse tema permite uma abordagem interdisciplinar, promovendo uma compreensão mais profunda dos sistemas naturais e sociais – sem contar que possibilita que eles aprendam a avaliar fontes de informações e entender a base científica, fortalecendo sua capacidade de discernir fatos de informações enganosas (fake news).
  Investir em educação ambiental não apenas ajuda a moldar cidadãos conscientes e responsáveis, é essencial para enfrentar os desafios do nosso tempo e garantir um futuro sustentável e menos desigual para as próximas gerações. Ações individuais e coletivas podem ter um impacto global positivo – e é isso que precisa ser ensinado desde cedo

(*)Fernando Beltrame é mestre em compostagem pela USP, engenheiro pela Unicamp e CEO da Eccaplan. Com mais de 20 anos de experiência em projetos de consultoria, sustentabilidade e estratégia Net Zero, já atuou em diferentes eventos e iniciativas como a COP18, Rio+20 e fóruns mundiais

By emprezaz

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