Farinha, frutas, receitas, medidas e diferentes sabores passaram a fazer parte também das ferramentas utilizadas para ensinar crianças da Educação Infantil em Rio Branco.
No Centro de Educação Infantil (CEI) Willy Viana, a Prefeitura de Rio Branco, por meio da Secretaria Municipal de Educação, desenvolve o projeto Cozinha Pedagógica, que transforma o preparo de alimentos em uma experiência de aprendizagem.
A unidade atende crianças com idades entre 1 ano e 7 meses e 5 anos, distribuídas em 17 turmas. O espaço da cozinha é utilizado alternadamente pelas salas, de acordo com o planejamento pedagógico e as necessidades de cada faixa etária.
Durante as atividades, os pequenos não ficam apenas observando. Eles participam da escolha dos ingredientes, acompanham o preparo das receitas, manipulam alimentos e, ao final, experimentam o que produziram.
A proposta é utilizar situações presentes no cotidiano das próprias famílias para desenvolver diferentes habilidades de maneira prática e lúdica.
Aprendizado começa antes da receita ficar pronta
A experiência foi criada para reunir diferentes dimensões da aprendizagem infantil em uma única atividade.
Segundo a diretora do CEI Willy Viana, Jemille Oliveira, a ideia surgiu a partir da necessidade de trabalhar simultaneamente ludicidade, letramento e incentivo à alimentação saudável.
Na cozinha, uma receita pode dar origem a diferentes atividades pedagógicas.
Os alunos entram em contato com nomes de ingredientes e etapas de preparação, observam quantidades, formas, cores e tamanhos e experimentam aromas, sabores e texturas.
Dessa maneira, conceitos que poderiam ser apresentados de forma abstrata passam a fazer parte de uma experiência concreta.
Português e matemática entram na cozinha
A Cozinha Pedagógica também é utilizada para estimular o letramento.
Receitas, nomes de ingredientes e instruções de preparo aproximam as crianças da leitura e da escrita de maneira adequada a cada faixa etária.
A matemática aparece em situações como quantidades, divisão de ingredientes, medidas e organização das etapas de uma receita.
Para a secretária municipal de Educação, Kelce Nayra, colocar as crianças em contato com atividades práticas permite trabalhar diferentes áreas do conhecimento ao mesmo tempo.
Segundo a secretária, uma experiência dentro da cozinha possibilita abordar Português e Matemática enquanto desenvolve também socialização, participação e divisão das tarefas.
A proposta é fazer com que esses conhecimentos estejam associados a situações que as crianças conseguem observar, tocar e experimentar.
Cores, aromas e texturas ajudam no desenvolvimento
A professora da pré-escola Rocicleide Zaire destaca que a cozinha cria diferentes possibilidades de aprendizagem.
Misturar ingredientes, conhecer novos alimentos e explorar cores, aromas, sabores e texturas são atividades que permitem trabalhar habilidades de maneira lúdica e prazerosa.
Além dos aspectos cognitivos, o projeto busca desenvolver coordenação motora, linguagem, autonomia, cooperação e socialização.
As crianças precisam esperar sua vez, compartilhar utensílios e ingredientes, acompanhar orientações e colaborar com os colegas para chegar ao resultado final.
Assim, uma atividade aparentemente simples, como preparar uma receita, pode envolver diferentes dimensões do desenvolvimento infantil.
Alimentação saudável também faz parte do aprendizado
Outro objetivo do projeto é aproximar as crianças dos alimentos e estimular a construção de hábitos alimentares mais saudáveis.
Em vez de apenas receberem a refeição pronta, os alunos podem conhecer ingredientes, observar suas características e entender como eles são utilizados no preparo.
A experimentação também abre espaço para apresentar novos alimentos e sabores em um ambiente associado à curiosidade e à descoberta.
Para Rocicleide Zaire, situações simples do cotidiano podem se transformar em oportunidades para as crianças aprenderem, criarem, experimentarem e descobrirem.
Receitas das famílias chegam à escola
A Cozinha Pedagógica também procura valorizar conhecimentos que as crianças já possuem.
Receitas tradicionais, hábitos alimentares e costumes aprendidos em casa podem ser incorporados às atividades desenvolvidas na escola.
Isso permite que os alunos compartilhem experiências das próprias famílias e, ao mesmo tempo, conheçam diferentes formas de preparar e consumir alimentos.
A culinária passa, dessa forma, a funcionar também como instrumento para trabalhar memória, convivência e cultura alimentar dentro da comunidade escolar.
“Colocar a mão na massa” amplia experiência em sala
Para a coordenadora pedagógica Damily Rocha, a cozinha funciona como uma extensão da sala de aula.
A diferença é que os conteúdos são apresentados por meio da experiência.
As crianças participam de todas as etapas e conseguem observar concretamente o resultado de suas ações. Ao mesmo tempo, aprendem cuidados relacionados à rotina e ao próprio processo de preparação dos alimentos.
A participação dos estudantes também é apontada pela direção como um dos resultados positivos da iniciativa.
Segundo Jemille Oliveira, o projeto já foi incorporado à rotina do CEI Willy Viana e todas as turmas planejam atividades para utilizar o espaço.
Experiência pode inspirar outras escolas
A secretária municipal de Educação, Kelce Nayra, destacou o trabalho desenvolvido pela equipe do CEI Willy Viana e avaliou que a experiência pode servir de inspiração para outras unidades da rede municipal.
A iniciativa se insere em um conjunto de ações que a rede municipal vem desenvolvendo na Educação Infantil e nos anos iniciais.
Em agosto, por exemplo, a Prefeitura informou que Rio Branco manteve o segundo melhor Ideb entre as capitais brasileiras, enquanto uma escola municipal alcançou nota 8,7 nos anos iniciais do Ensino Fundamental.
No CEI Willy Viana, porém, os resultados buscados aparecem muito antes das avaliações escolares.
Entre ingredientes, receitas e descobertas, crianças ainda na primeira infância começam a desenvolver habilidades que serão utilizadas ao longo de toda a trajetória educacional.
A cozinha deixa, assim, de ser apenas o lugar onde os alimentos são preparados e passa a integrar o próprio processo educativo — mostrando que aprender também pode envolver tocar, cheirar, experimentar, dividir e colocar a mão na massa.

