O encerramento das atividades em alusão ao Dia dos Povos Indígenas, realizado em Rio Branco, reuniu representantes de mais de dez terras indígenas em uma programação marcada por apresentações culturais, música e expressões tradicionais. Promovido pela Secretaria Extraordinária de Povos Indígenas (Sepi), o evento consolidou-se como espaço de visibilidade, articulação e valorização das identidades originárias no estado.
A celebração reuniu tanto indígenas que vivem em territórios tradicionais quanto aqueles em contexto urbano, evidenciando a diversidade sociocultural e os diferentes modos de vivência indígena contemporânea. Mais do que um encontro festivo, a iniciativa também reforçou a centralidade das políticas públicas voltadas a esses povos.
A secretária de Povos Indígenas, Francisca Arara, destacou o caráter histórico e político do momento. “O evento simboliza conquistas históricas, fruto de luta e da resistência, além dos avanços das ações realizadas em prol dos povos indígenas”, afirmou.
Cultura como território e resistência
As apresentações culturais — com danças, músicas e manifestações tradicionais — funcionaram como expressão direta da continuidade cultural dos povos indígenas. Esses elementos não apenas celebram identidades, mas reafirmam vínculos com o território, espiritualidade e modos de vida.
O integrante do grupo cultural Huni Kuin, Chane Huni Kuin, destacou essa dimensão simbólica. “Nossa música, língua e artesanato reforçam a conexão espiritual e cultural dos povos”, afirmou.
Nesse contexto, a cultura aparece não apenas como manifestação artística, mas como instrumento de transmissão de conhecimento e fortalecimento coletivo — um elemento central na manutenção dos sistemas de vida indígenas diante das pressões externas.
Floresta, identidade e futuro
O evento também trouxe à tona a relação inseparável entre cultura indígena e preservação ambiental. O agente agroflorestal Antônio da Silva Kaxinawá destacou esse vínculo ao associar identidade cultural à defesa do território.
“Representa nossa identidade e nossa cultura viva. Estamos firmes dentro da floresta e queremos nossa floresta viva, protegendo nosso território”, afirmou.
A fala reforça uma dimensão recorrente no debate amazônico: povos indígenas não são apenas habitantes da floresta, mas agentes centrais na sua conservação. Estudos e políticas públicas têm reconhecido esse papel estratégico na proteção de ecossistemas e no enfrentamento das mudanças climáticas.
Entre celebração e política pública
O encerramento da programação sintetiza uma tendência mais ampla no Acre e na Amazônia: a integração entre valorização cultural e construção de políticas públicas. Ao reunir diferentes povos e territórios, o evento também funciona como espaço de articulação institucional e fortalecimento do protagonismo indígena.
Mais do que celebrar o passado, a iniciativa aponta para o futuro — onde cultura, território e políticas públicas se entrelaçam como base para um modelo de desenvolvimento que reconhece os povos indígenas como atores centrais na agenda socioambiental.

