Eventos climáticos extremos, como secas e chuvas intensas, já provocam perdas médias de R$ 110 bilhões por ano no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, segundo estudos do Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento (CICEF).
Os dados evidenciam não apenas o impacto econômico direto da crise climática, mas também falhas estruturais no financiamento público voltado à adaptação e mitigação. A análise combina informações do IBGE, Tesouro Nacional e dados meteorológicos para dimensionar os efeitos dos eventos extremos ao longo de mais de duas décadas.
Os impactos variam conforme o tipo de evento. Secas têm efeitos prolongados, podendo reduzir o PIB municipal em cerca de 2% ao ano por até cinco anos, enquanto chuvas intensas causam quedas mais imediatas, próximas de 1% no ano em que ocorrem.
Além dos efeitos econômicos, os desastres ampliam significativamente os custos sociais. O estudo aponta aumento de até 440% nos danos materiais em eventos de chuva e crescimento expressivo no número de pessoas feridas, doentes ou desabrigadas.
No setor produtivo, a agropecuária é a mais afetada, especialmente durante períodos de seca, com perdas superiores a 7,5% nos primeiros anos. Indústria e serviços também registram retração, indicando impacto sistêmico na economia.
As projeções indicam agravamento do cenário. Em um contexto de aquecimento global de +2°C, as perdas podem chegar a R$ 144,6 bilhões por ano, com aumento significativo no número de municípios afetados por eventos extremos.
Apesar da magnitude dos impactos, o estudo aponta desequilíbrios na forma como o país investe em políticas climáticas. Entre 2019 e 2024, apenas cerca de 1% das despesas públicas foi destinado à agenda climática, com predominância de gastos voltados à resposta a desastres, em vez de ações preventivas.
Os dados mostram que, enquanto bilhões são destinados à reconstrução após eventos extremos, os investimentos em prevenção ainda são significativamente menores — evidenciando um modelo reativo que pode ampliar custos no longo prazo.
Outro ponto crítico é a incoerência fiscal: incentivos econômicos considerados prejudiciais ao clima, como subsídios a combustíveis fósseis, superam os investimentos favoráveis à transição energética.
O cenário reforça que a crise climática já deixou de ser um risco futuro para se consolidar como um fator estruturante da economia brasileira. Especialistas apontam que a transição para políticas mais preventivas e integradas será decisiva para reduzir perdas e aumentar a resiliência econômica diante das mudanças climáticas.

