Manaus amanheceu mais uma vez encoberta por fumaça nesta quinta-feira (1º), prolongando uma sequência de episódios de poluição atmosférica registrados nas últimas semanas na capital amazonense.
Desta vez, a fumaça foi associada a um incêndio de grandes proporções que atingiu uma área de vegetação no distrito de Cacau Pirêra, em Iranduba, município da Região Metropolitana de Manaus.
Segundo o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, o incêndio começou na tarde de quarta-feira (30), em uma área localizada entre os quilômetros 3 e 4 da rodovia AM-070. A fumaça começou a ser percebida na capital ainda durante a noite e permaneceu sobre a cidade nas primeiras horas desta quinta-feira.
Fumaça chegou a Manaus durante a noite
A proximidade entre Cacau Pirêra e Manaus fez com que os efeitos do incêndio fossem rapidamente sentidos do outro lado do Rio Negro.
Ainda na noite de quarta-feira, moradores já relatavam a presença de fumaça em diferentes pontos da capital. O bairro Compensa, na zona Oeste, esteve entre as áreas mais afetadas.
O cenário voltou a modificar a paisagem da cidade, que vem enfrentando sucessivos episódios de fumaça relacionados a incêndios e queimadas registrados na Região Metropolitana.
Em 18 de setembro, por exemplo, Manaus já havia amanhecido encoberta, com a fumaça relacionada a queimadas em municípios como Itacoatiara, Careiro da Várzea, Iranduba e Manacapuru.
Defesa Civil emitiu alerta de risco severo
A concentração de fumaça levou a Defesa Civil de Manaus a emitir, na noite de quarta-feira, um alerta classificado como de risco severo relacionado à qualidade do ar.
Entre as orientações repassadas à população estavam o uso de máscara, a redução da exposição à fumaça e a recomendação de não realizar atividades ao ar livre enquanto persistissem as condições desfavoráveis.
Na manhã desta quinta-feira, dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), indicavam qualidade do ar classificada como “moderada”.
A melhora na classificação, contudo, ocorreu depois de uma noite marcada pelo alerta da Defesa Civil e pela presença visível de fumaça sobre parte da cidade.
Bombeiros trabalharam durante a madrugada
O combate ao incêndio em Cacau Pirêra atravessou a madrugada.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, as chamas foram controladas e extintas por volta das 4h desta quinta-feira.
Depois do controle do fogo, as equipes permaneceram na região realizando o rescaldo e a vistoria da área, procedimentos necessários para identificar pontos ainda quentes e reduzir a possibilidade de reignição.
A extensão da área atingida não foi informada na publicação da Rádio Rio Mar.
Manaus enfrenta sequência de dias com fumaça
O episódio ocorre pouco mais de uma semana depois de Manaus enfrentar alguns dos momentos mais críticos do ano em relação à qualidade do ar.
Em 24 de setembro, diferentes áreas da capital e da Região Metropolitana registraram níveis elevados de partículas finas PM2,5. Naquele dia, Manaquiri chegou a 227,7 µg/m³ e Careiro a 193,9 µg/m³, ambos com condições consideradas críticas pelo sistema de monitoramento.
A situação levou autoridades sanitárias a recomendar redução da exposição à fumaça e das atividades físicas ao ar livre.
A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) chegou a suspender temporariamente aulas presenciais e atividades administrativas em suas unidades de Manaus durante um dos episódios mais severos de setembro.
Incêndios pressionam Região Metropolitana
A repetição dos episódios de fumaça está relacionada à concentração de incêndios em municípios próximos à capital.
Entre julho e 23 de setembro, o Corpo de Bombeiros informou ter atuado no combate a 16.470 focos de incêndios urbanos e florestais no Amazonas, mantendo aproximadamente mil servidores, entre militares e brigadistas, envolvidos nas ações.
Desde 9 de setembro, também está em vigor no estado o Decreto nº 55.339/2026, que proíbe o uso do fogo por 120 dias no Amazonas, abrangendo queimadas para limpeza de áreas, manejo agrossilvipastoril e eliminação de resíduos vegetais, observadas as disposições da norma.
A fiscalização ambiental também foi reforçada na Região Metropolitana diante da concentração recente dos incêndios.
Fumaça transforma incêndios em problema de saúde pública
A preocupação não termina quando as chamas são apagadas.
A fumaça produzida pela queima de vegetação transporta material particulado e outros poluentes que podem permanecer suspensos no ar e alcançar áreas distantes do ponto de origem do incêndio.
Durante os episódios registrados em setembro, autoridades de saúde do Amazonas recomendaram que a população reduzisse o tempo de exposição à fumaça, evitasse exercícios e outras atividades ao ar livre e mantivesse, sempre que possível, ambientes internos protegidos da entrada de poluentes.
Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares estão entre os grupos que exigem atenção especial.
O Conselho Regional de Medicina do Amazonas também recomendou hidratação, redução das atividades externas e utilização de máscaras PFF2 ou N95 quando houver alta concentração de fumaça. Casos de falta de ar intensa, dor no peito ou agravamento de sintomas respiratórios e cardiovasculares exigem atendimento de saúde.
Outubro começa com novo episódio de fumaça
O incêndio de Cacau Pirêra faz com que Manaus inicie outubro enfrentando o mesmo problema que marcou diferentes dias de setembro.
Embora o fogo tenha sido extinto durante a madrugada e a qualidade do ar aparecesse como moderada na manhã desta quinta-feira, o novo episódio evidencia a vulnerabilidade da capital aos incêndios registrados nos municípios do entorno.
A fumaça atravessa limites municipais e transforma ocorrências em áreas de vegetação da Região Metropolitana em um problema que pode atingir rapidamente uma cidade com mais de dois milhões de habitantes.
Com o incêndio controlado, as equipes concentram agora o trabalho no rescaldo e na vistoria da área atingida em Iranduba. Em Manaus, o episódio mantém em evidência a necessidade de acompanhar os índices de qualidade do ar e as orientações das autoridades enquanto persistirem fumaça e queimadas na região.

