Redação Planeta Amazônia
A nova fase da gestão do saneamento básico começou a ser implementada em 23 municípios das regiões do Xingu, Tapajós e Baixo Amazonas, no Pará, como parte do processo de concessão e regionalização dos serviços de água e esgoto no estado. A mudança integra a estratégia do governo estadual para ampliar a cobertura e melhorar a qualidade do atendimento à população.
A operação passa a ser conduzida pela concessionária Águas do Pará, que assume gradualmente os serviços anteriormente sob responsabilidade da Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa). O processo inclui uma fase de transição operacional, com acompanhamento técnico para garantir continuidade no abastecimento e estabilidade nos sistemas.
Transição operacional e continuidade dos serviços
Segundo o governo estadual, a implantação da nova gestão ocorre de forma progressiva, com apoio das equipes da Cosanpa nos primeiros dias de operação. O objetivo é evitar interrupções no fornecimento de água e assegurar a adaptação dos sistemas ao novo modelo.
O presidente da concessionária, André Facó, destacou o volume de investimentos previstos:
“Seremos responsáveis pela ampliação do abastecimento de água e esgotamento sanitário em 126 municípios, com investimentos de R$ 18,7 bilhões ao longo do contrato”, afirmou.
Universalização como meta
A nova gestão faz parte da política estadual alinhada ao novo marco legal do saneamento, que estabelece metas de universalização do acesso à água potável e ao tratamento de esgoto até 2033.
No Pará, a expectativa é que o modelo beneficie mais de 5,5 milhões de pessoas, com expansão gradual dos serviços e melhoria da infraestrutura existente.
A proposta prevê que, ao final do período de concessão, praticamente toda a população urbana tenha acesso à água tratada, além da ampliação significativa da coleta e tratamento de esgoto — um dos principais desafios históricos da região.
Investimentos e expansão da rede
Entre as primeiras ações previstas estão a perfuração de novos poços, modernização de estações de tratamento e ampliação da rede de distribuição de água.
Esses investimentos buscam corrigir déficits históricos no acesso aos serviços de saneamento, especialmente em municípios do interior, onde a cobertura ainda é limitada.
Desafio estrutural na Amazônia
A expansão do saneamento na região amazônica enfrenta obstáculos específicos, como grandes distâncias, baixa densidade populacional e dificuldade logística para implantação de infraestrutura.
O saneamento básico — que inclui abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto e manejo de resíduos — é considerado essencial para a saúde pública e o desenvolvimento econômico.
Nesse contexto, a regionalização dos serviços surge como alternativa para viabilizar investimentos em escala, permitindo a integração de municípios e a atração de capital privado.
Novo modelo e governança
A concessão no Pará faz parte de uma tendência nacional de reorganização do setor, incentivada pelo novo marco regulatório, que busca ampliar a participação de operadores privados e garantir metas de eficiência e universalização.
Além da operação dos serviços, o modelo também prevê repasses financeiros aos municípios e investimentos contínuos ao longo de décadas, criando uma base de planejamento de longo prazo para o setor.
Entre avanço e desafios
Apesar do potencial de expansão, especialistas apontam que o sucesso da nova gestão dependerá da execução efetiva dos investimentos, da regulação adequada e do acompanhamento das metas estabelecidas.
A implementação do modelo nos 23 municípios marca mais um passo na reestruturação do saneamento no Pará — um setor considerado estratégico para a saúde, o meio ambiente e a qualidade de vida da população.

