Empreendedores da bioeconomia amazônica têm até 31 de julho para se inscrever gratuitamente na nova chamada temática do Programa EcoAm – Ecossistema de Inovação Social e Bioeconomia da Amazônia, iniciativa que busca aproximar pequenos negócios, cooperativas, associações e empreendimentos comunitários de investidores e mercados consumidores. Diferentemente dos editais tradicionais, a seleção foi estruturada a partir de uma análise prévia das demandas do mercado, conectando os empreendedores a oportunidades comerciais já identificadas.
A proposta representa uma mudança de abordagem no fortalecimento da bioeconomia regional. Em vez de oferecer apoio genérico aos empreendimentos, o EcoAm identificou previamente quais produtos possuem maior potencial de inserção em cadeias comerciais estruturadas. Para isso, consultou compradores, distribuidores, varejistas, parceiros institucionais e especialistas em diferentes segmentos da sociobiodiversidade amazônica, permitindo que a chamada fosse construída com base em oportunidades reais de negócios.
A chamada completa está disponível em: https://ecoamamazonia.com/chamadatematica2026/. Diferentemente dos editais tradicionais, a seleção foi construída a partir de um processo de inteligência de mercado conduzido pelo EcoAm.
Inteligência de mercado orienta seleção dos empreendimentos
Como resultado desse diagnóstico, o programa lançou recentemente o estudo “Bioeconomia e Territórios da Amazônia”, que reúne informações sobre cadeias produtivas estratégicas, gargalos comerciais e oportunidades de mercado para produtos da floresta. O levantamento serviu como base para definir quais empreendimentos serão priorizados nesta edição e quais mercados poderão ser acessados pelos participantes.
Segundo o coordenador do EcoAm, Washington Silva, a proposta é reduzir uma das principais dificuldades enfrentadas pelos negócios amazônicos: transformar produtos da sociobiodiversidade em empreendimentos capazes de competir em mercados mais amplos.
“Construímos esta chamada a partir das necessidades do mercado. Nosso objetivo é aproximar os negócios da sociobiodiversidade de oportunidades comerciais concretas, ampliando as possibilidades de geração de renda e de crescimento sustentável”, afirmou o coordenador.
Acre terá prioridade para quatro cadeias produtivas
No Acre, a chamada contempla empreendimentos de todo o estado e prioriza quatro segmentos considerados estratégicos para a bioeconomia regional:
- castanha-da-Amazônia;
- óleos vegetais amazônicos, como andiroba, copaíba, buriti e murumuru;
- borracha natural;
- café produzido em sistemas agroflorestais.
No Amazonas, a seleção será voltada para negócios localizados em Tefé, Alvarães, Uarini, Maraã e Fonte Boa, com prioridade para a Farinha de Uarini e derivados da mandioca, pirarucu manejado e alimentos produzidos a partir da sociobiodiversidade amazônica.
Já em Rondônia, poderão participar empreendimentos da macrorregião de Ji-Paraná, além de Cacoal e Rolim de Moura, com foco nas cadeias da castanha-da-Amazônia, cacau e café agroflorestal.
Programa oferece capacitação e aproxima investidores
Os negócios selecionados integrarão a Jornada EcoAm de Desenvolvimento Comercial, que reúne uma série de etapas voltadas ao fortalecimento empresarial. Entre elas estão diagnóstico comercial, estruturação de portfólio, estratégias de precificação, adequação de produtos ao mercado, mentorias especializadas, assessorias financeira e comercial, rodadas de negócios e conexões com investidores, compradores e instituições financeiras.
Além da capacitação técnica, os participantes terão acesso a oportunidades de crédito e investimento, um dos principais gargalos para empreendimentos que atuam com produtos da floresta e da sociobiodiversidade.
Podem participar pequenos negócios, agroindústrias familiares, cooperativas, associações, empreendimentos comunitários, negócios de impacto e produtores organizados que possuam CNPJ ativo, faturamento, produto ou serviço validado e interesse em expandir sua atuação comercial. Também é necessário demonstrar disponibilidade para participar de todas as etapas da jornada de desenvolvimento.
Mulheres, indígenas e comunidades tradicionais terão prioridade
Um dos diferenciais da seleção é a valorização de iniciativas lideradas por mulheres, indígenas, ribeirinhos e outros povos e comunidades tradicionais, além de empreendimentos coletivos e negócios que comprovem impacto socioambiental positivo.
A estratégia busca fortalecer cadeias produtivas que conciliem geração de renda, conservação da floresta e valorização dos conhecimentos tradicionais, ampliando a participação desses grupos em mercados mais estruturados.
Bioeconomia ganha espaço como estratégia para o desenvolvimento amazônico
Desde sua criação, o EcoAm já apoiou 17 empreendimentos da bioeconomia amazônica, entre associações, cooperativas, startups e negócios de impacto social. A expectativa é ampliar esse alcance nesta nova etapa, consolidando um modelo que aproxima inovação, conservação ambiental e desenvolvimento econômico.
Ao conectar produtores diretamente às demandas do mercado, o programa aposta na bioeconomia como alternativa para agregar valor aos produtos da floresta, estimular cadeias produtivas sustentáveis e fortalecer economias locais sem ampliar o desmatamento.

