O município de São Salvador, no Tocantins, retomou a operação do aterro sanitário após anos de desativação, em uma ação que marca avanço na política ambiental do estado e no cumprimento das metas do programa Lixão Zero. A reativação foi acompanhada por autoridades estaduais e municipais, incluindo o secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Marcello Lelis, e o prefeito André Borba.
A iniciativa ocorre em um cenário ainda desafiador: dos 139 municípios tocantinenses, apenas 33 realizam a destinação adequada de resíduos sólidos, enquanto a maioria ainda utiliza lixões a céu aberto.
Retomada de estrutura e correção de passivo ambiental
O aterro sanitário de São Salvador havia sido construído há mais de uma década, mas permaneceu abandonado por anos, tornando-se foco de problemas ambientais e sanitários. Segundo a gestão municipal, o local apresentava acúmulo de lixo exposto, presença de animais mortos, mau cheiro e risco de contaminação.
Com a reativação, o município passa a operar dentro das normas ambientais, garantindo tratamento adequado dos resíduos e reduzindo impactos à saúde pública.
O prefeito André Borba destacou o significado da medida:
“Essa conquista representa um passo significativo para o município, garantindo mais segurança à saúde pública e ao meio ambiente”, afirmou.
Política estadual e metas do Lixão Zero
A ação integra o programa Lixão Zero, política estadual que busca encerrar lixões a céu aberto e estruturar sistemas adequados de gestão de resíduos.
Durante o evento, o secretário Marcello Lelis ressaltou os avanços já registrados: municípios como Guaraí, Muricilândia e Nova Olinda conseguiram desativar lixões e adotar soluções ambientalmente corretas.

A estratégia inclui apoio técnico e articulação regional, como o trabalho do Consórcio para o Desenvolvimento Regional do Tocantins (CODER-TO), que atua na implementação de soluções compartilhadas entre municípios.
Desafio estrutural da gestão de resíduos
O caso de São Salvador reflete um problema recorrente em estados brasileiros: a dificuldade de universalizar a destinação adequada de resíduos sólidos, especialmente em municípios de pequeno porte.
A manutenção de lixões está associada a impactos ambientais, contaminação do solo e da água, além de riscos à saúde pública — fatores que tornam a gestão de resíduos uma das agendas prioritárias da política ambiental.
Integração institucional e governança
A solenidade de reativação reuniu autoridades de diferentes municípios e instituições, incluindo prefeitos, secretários municipais de meio ambiente, vereadores e representantes do Ministério Público.
A presença institucional reforça a necessidade de atuação integrada para enfrentar o problema dos resíduos sólidos, que exige coordenação entre municípios, estado e órgãos de controle.
Entre avanço e desafio
A retomada do aterro sanitário em São Salvador representa um avanço concreto na política ambiental do Tocantins, mas também evidencia o desafio de ampliar esse modelo para os demais municípios.
Com a maioria das cidades ainda dependente de lixões, o sucesso do programa Lixão Zero dependerá da continuidade das ações, investimentos e articulação regional.
A principal mensagem é clara: a gestão adequada de resíduos deixou de ser apenas uma questão ambiental e passou a ser um tema central de saúde pública e desenvolvimento sustentável.

