Turismo pedagógico leva estudantes acreanos a conhecer a história dos geoglifos

Conhecer a história no local onde ela aconteceu é a proposta do projeto “Meu Lugar no Mundo – Acreano de Coração, Brasileiro por Opção”, desenvolvido pela Prefeitura de Rio Branco, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Turismo, Tecnologia e Inovação (SDTI), em parceria com o Sindicato dos Guias de Turismo do Estado do Acre (SINGTUR). A iniciativa utiliza atrativos históricos, culturais e turísticos da capital como ambientes de aprendizagem, aproximando estudantes do patrimônio arqueológico e da identidade acreana.

Uma das atividades mais recentes levou alunos da Escola Estadual Dr. João Batista Aguiar aos sítios arqueológicos Jacó Sá e Severino Calazans, onde os estudantes puderam conhecer de perto os geoglifos acreanos e compreender sua importância para a história dos povos originários da Amazônia. O Sítio Jacó Sá, localizado às margens da BR-317, é o único geoglifo tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e figura entre os mais importantes patrimônios arqueológicos do estado.

História ganha vida fora da sala de aula

O projeto combina palestras, visitas guiadas e atividades de educação patrimonial para estimular o aprendizado de forma prática. Ao vivenciar os conteúdos diretamente nos sítios arqueológicos, os estudantes ampliam o conhecimento sobre a formação histórica do Acre e desenvolvem maior consciência sobre a importância da preservação do patrimônio cultural.

A professora de Geografia Miriam Cordeiro de Mello destacou o significado da experiência. Segundo ela, a visita representou a realização de um sonho iniciado há mais de duas décadas, quando conheceu as primeiras pesquisas sobre os geoglifos durante uma palestra ministrada pelo pesquisador Alceu Ranzi, na Universidade Federal do Acre (Ufac).

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“Hoje, poder proporcionar essa experiência e ver nos olhos dos alunos o mesmo encantamento que senti há 20 anos é a maior recompensa que a educação poderia me dar”, afirmou Miriam. (Foto: Secom)

“Hoje, poder proporcionar essa experiência e ver nos olhos dos alunos o mesmo encantamento que senti há 20 anos é a maior recompensa que a educação poderia me dar”, afirmou a professora.

Geoglifos revelam a presença de antigas civilizações amazônicas

Os geoglifos são grandes figuras geométricas escavadas no solo há centenas ou milhares de anos por povos indígenas pré-coloniais. Encontrados principalmente no Acre, essas estruturas transformaram o entendimento científico sobre a ocupação da Amazônia ao demonstrar que sociedades complexas habitavam a região muito antes da chegada dos europeus.

Durante a visita guiada por Gleison Xavier, os estudantes conheceram a origem dos geoglifos, suas possíveis funções e a importância da preservação desse patrimônio arqueológico para a história da Amazônia. (Foto: Secom)

Hoje, o Acre concentra a maior quantidade de geoglifos conhecidos no país e busca consolidar esse patrimônio como referência para o turismo cultural, a pesquisa arqueológica e a educação patrimonial. A valorização dessas estruturas também integra ações voltadas ao reconhecimento internacional dos geoglifos como patrimônio de relevância mundial.

Turismo pedagógico fortalece identidade cultural

Além de complementar o conteúdo escolar, o turismo pedagógico vem sendo adotado como ferramenta para aproximar os estudantes de seu próprio território. Em 2025, o Governo do Acre já havia anunciado uma parceria entre as secretarias de Turismo e Educação para ampliar iniciativas desse tipo em todo o estado, utilizando atrativos históricos e naturais como instrumentos de aprendizagem.

Especialistas destacam que experiências de campo estimulam o senso crítico, fortalecem o sentimento de pertencimento e despertam o interesse pela preservação da memória coletiva.

Ao transformar os geoglifos em espaços de aprendizagem, Rio Branco reforça a importância da educação patrimonial como estratégia para formar cidadãos conscientes do valor histórico, cultural e ambiental de um dos mais importantes legados arqueológicos da Amazônia.

By emprezaz

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