Redação Planeta Amazônia
A política de cooperação entre o governo federal e municípios da Amazônia tem contribuído para a redução de incêndios florestais em áreas consideradas prioritárias. Dados apresentados pelo governo indicam que investimentos de R$ 815 milhões resultaram na diminuição das queimadas em 70 municípios da região.
A iniciativa faz parte do Programa União com Municípios pela Redução do Desmatamento e Incêndios Florestais na Amazônia, criado em 2023, com foco no fortalecimento da atuação local no enfrentamento ao problema. A estratégia combina ações de comando e controle com medidas estruturais voltadas à regularização fundiária e ao incentivo à produção sustentável.
Durante a apresentação dos resultados, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou que a política pública demonstra a possibilidade de conciliar conservação ambiental e desenvolvimento econômico. “Com comando e controle, enfrentamos o que não pode ocorrer. Mas os prefeitos, com razão, pediam uma agenda positiva de controle do desmatamento. Regularização fundiária e ambiental, por exemplo, é uma demanda de todos”, afirmou.
Os recursos foram aplicados em diferentes frentes, incluindo a aquisição de mais de 2 mil veículos para fiscalização, a capacitação de mais de 500 técnicos municipais e a remuneração de cerca de 4 mil pequenos agricultores por serviços ambientais, como a recuperação de áreas degradadas.
Além do combate direto aos incêndios, o programa busca enfrentar causas estruturais do desmatamento, ampliando o acesso à regularização ambiental e à assistência técnica rural. Novos contratos firmados preveem investimentos adicionais de R$ 75 milhões, com alcance estimado em cerca de 32 mil imóveis rurais em estados da Amazônia Legal, incluindo Acre, Amazonas, Pará, Mato Grosso, Roraima e Rondônia.
A política também está alinhada a um cenário mais amplo de redução do desmatamento. Segundo dados apresentados no balanço, a taxa caiu cerca de 50% desde 2022, enquanto o setor agropecuário manteve crescimento, indicando uma possível dissociação entre produção e avanço sobre a floresta.
Especialistas apontam que o modelo adotado sinaliza uma mudança na abordagem das políticas ambientais na Amazônia, ao integrar fiscalização, incentivos econômicos e protagonismo local. Ainda assim, alertam que a continuidade dos resultados depende de financiamento estável, governança eficiente e monitoramento constante, diante da pressão permanente sobre o bioma.
O avanço da cooperação federativa reforça a importância de estratégias descentralizadas no enfrentamento das queimadas, ao mesmo tempo em que evidencia a necessidade de políticas de longo prazo para consolidar a redução dos incêndios e do desmatamento na região.

